Mulheres ocupam 44,2% dos empregos em grandes empresas no estado e recebem, em média, 13% a menos que os homens

O mercado de trabalho formal no Amapá tem registrado avanço na participação feminina, especialmente em empresas de grande porte. Dados do Painel do Relatório de Transparência Salarial, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pelo Ministério das Mulheres, apontam que as mulheres ocupam 44,2% dos vínculos empregatícios em estabelecimentos com 100 ou mais empregados no estado.
Em dezembro de 2025, o Amapá contabilizava 128 empresas desse porte, responsáveis por 40,3 mil vínculos formais. Desse total, 17,8 mil postos de trabalho eram ocupados por mulheres.
A maioria dessas trabalhadoras é composta por mulheres negras, que somam 15,2 mil vínculos, o equivalente a 85,3% do total feminino. Já entre os homens, são 22,5 mil empregados, sendo 19,7 mil negros.
Apesar do crescimento na participação feminina, a desigualdade salarial ainda é uma realidade no estado. As mulheres recebem, em média, R$ 2.516,31, enquanto os homens têm rendimento médio de R$ 2.894,59 — uma diferença de aproximadamente 13%.
O recorte racial evidencia ainda mais disparidades: mulheres negras recebem, em média, R$ 2.441,42, enquanto mulheres não negras ganham R$ 2.853,99. Entre os homens, os salários médios são de R$ 2.816,71 para negros e R$ 3.397,96 para não negros.
O cenário no Amapá acompanha a tendência nacional de crescimento da presença feminina no mercado formal, impulsionada pelo aquecimento da economia.
Segundo o 5º Relatório Nacional de Igualdade Salarial, houve aumento expressivo na contratação de mulheres negras no país, com crescimento de 29% entre 2023 e 2025, representando mais de 1 milhão de novas vagas ocupadas.
Ainda assim, o relatório destaca que a desigualdade salarial persiste em todo o Brasil. Em 2025, as mulheres receberam, em média, 21,3% a menos que os homens em empresas com 100 ou mais empregados. No momento da admissão, a diferença também se mantém, com salários femininos cerca de 14,3% inferiores.
No Amapá, as políticas de incentivo à contratação de mulheres ainda são adotadas por uma parcela limitada das empresas. Apenas 27,4% dos estabelecimentos de grande porte possuem iniciativas voltadas à ampliação da participação feminina.
Entre elas, 5,5% oferecem programas para mulheres vítimas de violência doméstica, 15,1% para mulheres LGBTQIAP+, 11% para mulheres com deficiência e 17,8% para mulheres negras.
Os dados evidenciam avanços importantes na inclusão das mulheres no mercado de trabalho formal, mas também reforçam a necessidade de ampliar políticas públicas e empresariais que garantam igualdade de oportunidades e de remuneração.








