Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República defenderam continuidade da medida cautelar. O alinhamento evidencia a gravidade do cenário investigado

A permanência do vice-prefeito de Macapá, Mário Rocha de Matos Neto, afastado do cargo trouxe a público novos elementos sobre o caso ganhou ainda mais impacto no âmbito das investigações da Operação Paroxismo. O pedido de manutenção do afastamento partiu da Polícia Federal e recebeu manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Defesa questiona afastamento e critica gestão interina
Em manifestação protocolada no dia 27 de abril de 2026, a defesa de Mário Neto sustentou a inexistência de indícios suficientes que justifiquem seu afastamento da prefeitura.
Apesar das alegações da defesa, a Polícia Federal apresentou, no dia 30 de abril de 2026, pedido formal ao STF para prorrogar o afastamento cautelar de Mário Neto por mais 120 dias.
A medida, segundo a autoridade policial, busca impedir que o investigado reassuma a estrutura administrativa da Prefeitura de Macapá — o que poderia comprometer o andamento das investigações, especialmente diante da possibilidade de o vice-prefeito assumir o comando do Executivo municipal.
PGR acompanha posição da PF
O posicionamento da Polícia Federal foi reforçado pela Procuradoria-Geral da República, que se manifestou de forma convergente pelo deferimento da prorrogação do afastamento.
A manifestação da PGR consolida o entendimento de que a manutenção da medida cautelar é necessária para resguardar a investigação e evitar eventuais interferências na apuração dos fatos.

Há referência a um possível desvio de valores que pode chegar à casa de dezenas de milhões de reais, dentro de contratos ligados à construção do Hospital Geral de Macapá
Pressão institucional e avanço das investigações
O alinhamento entre Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República evidencia a gravidade do cenário investigado e reforça a pressão institucional pela continuidade das medidas cautelares adotadas contra integrantes da alta cúpula da gestão do ex-prefeito Antônio Furlan (PSD) frente a Prefeitura de Macapá.
Dois fatos graves que vieram a público após a suspensão do sigilo no processo revelam a dimensão do caso.
De acordo com decisão que manteve o afastamento de Mário Neto, o irmão do ex-prefeito e então secretário municipal de Governo, José Furlan Neto, possuía acesso a uma chave bancária da Prefeitura de Macapá — e essa credencial foi utilizada para autorizar pagamentos milionários em um contexto considerado atípico e sob investigação.
No mesmo dia em que foi determinado o afastamento de Antônio Furlan e de integrantes da cúpula da gestão municipal, foram realizados pagamentos considerados irregulares, sem autorização da gestão interina. Entre as operações identificadas estão R$ 819.330,69 pagos à empresa M2 Comunicação Ltda e R$ 2.494.237,88 pagos à empresa Top Construções e Serviços Ltda.
A decisão aponta ainda episódios posteriores ao afastamento, como invasão de setores estratégicos; retirada de HDs de computadores do setor de licitações; queda de sistemas internos; e dificuldades de acesso a dados financeiros e administrativos.
A gravidade dos fatos levou a justiça a reconhecer que o caso pode retratar um esquema de grandes proporções, envolvendo o desvio de recursos públicos.








