TCE-AP barra execução de emendas parlamentares em Santana por falta de transparência

Decisão determina que prefeitura comprove rastreabilidade dos recursos antes de liberar verbas; município tem 60 dias para apresentar plano de ação

O Tribunal de Contas do Estado do Amapá (TCE-AP) decidiu impedir, temporariamente, a execução das emendas parlamentares municipais de Santana, após constatar falhas no cumprimento de regras de transparência e rastreabilidade dos recursos públicos.

A decisão, assinada pelo conselheiro relator Amiraldo Favacho, aponta que a prefeitura não comprovou atender integralmente aos critérios exigidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente os definidos na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 854. 

Essa norma estabelece que a execução de emendas só pode ocorrer após a demonstração clara de como os recursos serão aplicados e monitorados pelos órgãos de controle e fiscalização.

O que motivou a decisão?

A análise técnica realizada pelo TCE-AP identificou problemas considerados graves na forma como o município apresenta as informações sobre as emendas. Entre as principais falhas estão:

  • ausência de transparência ativa e atualizada sobre os recursos;
  • dificuldade de rastrear o caminho do dinheiro público;
  • falta de identificação precisa da origem e destino das verbas;
  • inconsistências entre dados contábeis e financeiros.

Na prática, isso significa que não é possível garantir, neste momento, que os recursos das emendas estejam sendo aplicados com controle adequado e visibilidade para a população.

O que muda na prática?

Com a decisão, fica proibida a liberação e execução das emendas parlamentares de 2026 em Santana até que todas as exigências sejam cumpridas.

O TCE-AP também determinou que a prefeitura apresente, em até 60 dias, um plano de ação detalhado contendo:

  • diagnóstico da situação atual;
  • cronograma de correção das falhas;
  • responsáveis pelas medidas;
  • integração com sistemas de controle e transparência.

Além disso, o tribunal alertou que apenas apresentar o plano não autoriza a liberação dos recursos. A execução só poderá ocorrer após nova análise e aprovação da Corte.

Risco de sanções

O tribunal foi enfático ao afirmar que qualquer gasto realizado sem a devida conformidade poderá ser considerado irregular. Nesse caso, gestores podem sofrer sanções legais, incluindo responsabilização administrativa.

Contexto nacional

A exigência de maior controle sobre emendas parlamentares ganhou força após decisões do STF que ampliaram a fiscalização sobre o uso desses recursos em todo o país. O objetivo é garantir transparência, evitar desvios e permitir maior controle social sobre o orçamento público.

Próximos passos

O processo seguirá em acompanhamento pelo TCE-AP, que poderá reavaliar a situação caso o município comprove a adoção das medidas exigidas. Até lá, as emendas permanecem bloqueadas.

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