Em 2021 a prefeitura de Macapá assinou um convênio com a empresa PKL One Participações S.A., que agora aparece no centro de uma investigação nacional relacionada ao Banco Master

As buscas e apreensões autorizadas pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça na 9ª fase da Operação Compliance Zero têm potencial para ampliar as investigações sobre conexões políticas do Banco Master para além da Bahia, o principal foco nesta quinta-feira (18).
As equipes da Polícia Federal puderam recolher documentos na Terra Firme da Bahia Ltda e na PKL One Participações. Ambas fazem parte dos empreendimentos ligados ao empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master.
PKL é a empresa dona do Credcesta, produto que oferece um pacote de benefícios para servidores públicos, inclusive serviços financeiros como crédito com desconto em folha de pagamento. Pelo último balanço do Master, referente ao ano de 2024, o Credcesta chegou a entrar em 24 estados e 176 municípios.
Segundo as investigações a estrutura passou a operar por meio da plataforma Credcesta, administrada pela PKL One Participações S.A., responsável por controlar a infraestrutura tecnológica que viabiliza a oferta do consignado. Enquanto a PKL One operava o sistema e integrava a folha de pagamento dos entes públicos, o Banco Master atuava como agente financeiro, concedendo os empréstimos, formalizando contratos e recebendo os valores por meio de desconto direto no contracheque dos servidores.
Convênio com a Prefeitura
Documentos obtidos pelo ConectAmapá revelam que a Prefeitura de Macapá firmou, em setembro de 2021, um convênio com a empresa PKL One Participações S.A., companhia que agora aparece no centro de uma investigação nacional relacionada ao ecossistema financeiro do Banco Master e seus desdobramentos em diferentes estados.
A informação ganha relevância após reportagem do Jornal de Brasília revelar que negócios originados na Bahia podem ampliar as investigações envolvendo o grupo empresarial ligado ao Master e à operação do cartão consignado Credcesta, produto explorado comercialmente pela PKL. O caso envolve suspeitas sobre expansão da operação em administrações públicas pelo país.
No caso de Macapá, o convênio foi assinado em 15 de setembro de 2021, durante a gestão do então prefeito Antônio Furlan, hoje pré-candidato ao Governo do Estado. O documento, publicado no Diário Oficial do Município e obtido pelo ConectAmapá, formaliza a parceria entre a Secretaria Municipal de Gestão e a PKL One Participações para operacionalização de consignações em folha de pagamento vinculadas ao Cartão Credcesta.



Pelo convênio, a PKL passou a operar junto a servidores ativos, inativos, aposentados e pensionistas vinculados ao município, permitindo operações de crédito consignado e aquisição de produtos e serviços, com desconto direto na folha de pagamento. O documento deixa claro que a empresa havia adquirido os direitos de exploração comercial do cartão Credcesta em caráter irrevogável e irretratável.
O instrumento foi assinado pelo então secretário municipal de Gestão, João Carlos Calage Alvarenga, representando a Prefeitura de Macapá, e por Marcos Oliveira Calmon de Bittencourt, pela PKL One. O convênio prevê inclusive autorização eletrônica das operações e repasses automáticos por meio do sistema municipal de consignação.
Ex-prefeito
A revelação do convênio local ocorre em um momento delicado para Antônio Furlan. O ex-prefeito foi afastado do cargo por decisão do Supremo Tribunal Federal no âmbito das investigações da Operação Paroxismo, da Polícia Federal, que apura suspeitas de fraude em licitações, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro em contratos ligados às obras do Hospital Municipal de Macapá. Após o afastamento, Furlan renunciou ao mandato.
A conexão documental do caso PKL reforça a presença do grupo empresarial no ambiente administrativo da capital amapaense, ampliando questionamentos sobre a expansão nacional do modelo de crédito consignado que hoje é alvo de apurações em outros estados.
O caso também reacende o debate sobre o impacto desse tipo de operação sobre servidores públicos. Em Macapá, denúncias recentes apontaram situações de superendividamento envolvendo contratos vinculados ao Credcesta, com relatos de descontos prolongados e dificuldades para quitação das dívidas.








