No recorte por estados, o Amapá chama atenção: foram 6.372 solicitações analisadas pelo Conare

O Amapá aparece como o segundo estado brasileiro com maior volume de pedidos de reconhecimento da condição de refugiado, segundo dados do relatório Refúgio em Números 2026, divulgado pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) em parceria com o Ministério da Justiça. O levantamento mostra uma mudança histórica no perfil migratório do país: pela primeira vez em anos, cubanos superaram venezuelanos no ranking nacional de solicitações.
Em 2025, o Brasil registrou 75.599 pedidos de refúgio, o terceiro maior número da série histórica. Desse total, 41.919 foram de cidadãos cubanos, representando 55,4% das solicitações, um salto de 88,1% em relação ao ano anterior. Os venezuelanos ficaram em segundo lugar, com 21.233 pedidos.
No recorte por estados, o Amapá chama atenção: foram 6.372 solicitações analisadas pelo Conare (Comitê Nacional para os Refugiados), o equivalente a 12,6% do total nacional, atrás apenas de Roraima, que concentrou 16.166 pedidos (32%). O dado confirma o papel estratégico do estado na rota migratória da região Norte, especialmente pela fronteira com a Guiana Francesa e a proximidade com países do Caribe e América do Sul.
No caso do Amapá, a presença crescente de cubanos e venezuelanos tem pressionado estruturas públicas de assistência social, saúde e regularização documental, principalmente em municípios como Macapá e Oiapoque, que funcionam como corredores migratórios.
Outro dado relevante do estudo mostra que 94,7% dos pedidos reconhecidos pelo Conare têm como base violações generalizadas de direitos humanos, o que reforça o caráter humanitário da migração. Entre os cubanos, a maior parte dos solicitantes tem mais de 60 anos, perfil diferente do observado entre venezuelanos, cuja faixa predominante está entre 25 e 40 anos.
Os números reforçam que o Amapá deixou de ser apenas uma rota de passagem e passou a ocupar posição central na geopolítica migratória brasileira, em um cenário que desafia governos locais e a União na formulação de políticas públicas de acolhimento e integração.
Região Norte recebe mais
No ano passado, 52,4% das solicitações de refúgio decididas pelo Conare foram registradas nos Estados da região Norte. Os solicitantes para essa região tinham como origem, principalmente, Venezuela (13.125), Cuba (11.490) e Colômbia (524).
Roraima também foi a unidade da federação que concentrou o maior volume de solicitações de reconhecimento da condição de refugiado decididas pelo Conare, com 16.166 (32% do total), seguida por Amapá, com 6.372 (12,6%), e Amazonas, com 2.445 (4,8%).








