Estado lidera ranking nacional pelo sétimo ano consecutivo, com 17 mortes por intervenção policial a cada 100 mil habitantes; índice permanece estável, mas segue muito acima da média nacional

O Amapá voltou a ocupar a primeira posição no ranking nacional de letalidade policial. Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgados nesta quinta-feira (23), mostram que o estado registrou 17 mortes provocadas por policiais para cada 100 mil habitantes em 2025, mantendo a maior taxa proporcional do país pelo sétimo ano consecutivo.
O levantamento revela que, embora o índice amapaense tenha permanecido estável em relação ao ano anterior, o estado continua muito acima da média nacional, que foi de 3,1 mortes por 100 mil habitantes. Em todo o Brasil, 6.602 pessoas morreram em decorrência de intervenções policiais em 2025, o maior número registrado nos últimos 14 anos, equivalente a uma média de 18 mortes por dia.
Amapá também lidera em mortes violentas
Além de apresentar a maior taxa de letalidade policial, o Amapá também aparece como o estado mais violento do país, com 42,5 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, segundo o Anuário. O indicador reúne homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte, mortes de policiais e mortes decorrentes de intervenção policial.
Os dados reforçam um cenário preocupante para a segurança pública amapaense: mesmo com a estabilidade da letalidade policial, o estado permanece na liderança nacional em dois dos principais indicadores de violência.
Brasil registra recorde histórico
Em âmbito nacional, o estudo aponta que a letalidade policial aumentou 5,4% em relação ao ano anterior. O crescimento ocorreu em um contexto de redução dos homicídios dolosos, que caíram quase 10%, fazendo com que as mortes provocadas por agentes do Estado se tornassem o único indicador das mortes violentas intencionais a apresentar piora em 2025.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a letalidade policial passou a representar 16,2% de todas as mortes violentas intencionais registradas no país. Em outras palavras, aproximadamente uma em cada seis mortes violentas ocorreu em ações envolvendo agentes de segurança.
Debate sobre políticas públicas
Os números devem intensificar o debate sobre o uso da força pelas polícias e a necessidade de aperfeiçoamento das políticas de segurança pública. Especialistas ouvidos pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública defendem o fortalecimento dos mecanismos de controle externo da atividade policial, maior transparência nas investigações e investimentos em inteligência, treinamento e prevenção da violência.
Para o Amapá, os dados representam um desafio adicional: reduzir simultaneamente os elevados índices de violência letal e a participação das intervenções policiais nas estatísticas de mortes, cenário que coloca o estado no centro das discussões nacionais sobre segurança pública.








