Amapá lidera letalidade policial no Brasil, aponta Anuário da Segurança

Segundo o levantamento, o Amapá registrou uma taxa de 17,1 mortes provocadas por policiais para cada 100 mil habitantes em 2025

O Amapá voltou a ocupar uma posição preocupante no cenário nacional da segurança pública. Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, mostram que o estado lidera, pelo sétimo ano consecutivo, o ranking brasileiro de letalidade policial, registrando a maior taxa de mortes decorrentes de intervenções das forças de segurança.

Segundo o levantamento, o Amapá registrou uma taxa de 17,1 mortes provocadas por policiais para cada 100 mil habitantes em 2025, índice muito superior à média nacional, que foi de 3,1 mortes por 100 mil habitantes. O estado aparece à frente da Bahia (10,6) e de Sergipe (8,4), que completam as primeiras posições do ranking nacional.

Estado mais violento e com maior letalidade policial

Os números revelam um cenário que chama atenção por reunir dois indicadores críticos. Além de liderar a letalidade policial, o Amapá também aparece como o estado com a maior taxa de mortes violentas intencionais do país, reforçando o quadro de violência enfrentado pela população.

O Anuário aponta que a letalidade policial permaneceu estável no estado em relação ao ano anterior, mas em um patamar extremamente elevado quando comparado ao restante do Brasil. Enquanto diversos estados registraram redução ou oscilações nos indicadores, o Amapá manteve o índice de 17 mortes por intervenção policial a cada 100 mil habitantes.

Brasil registra recorde de mortes por policiais

Em todo o país, as forças de segurança foram responsáveis por 6.602 mortes em 2025, o maior número da série histórica iniciada em 2016. O total representa aumento de 5,4% em relação ao ano anterior. Hoje, cerca de uma em cada seis mortes violentas registradas no Brasil decorre de intervenção policial.

O crescimento da letalidade policial ocorre em um contexto paradoxal: enquanto os homicídios dolosos caíram quase 10% no país, as mortes provocadas por agentes do Estado continuaram aumentando.

Especialistas defendem maior controle e transparência

Pesquisadores da área de segurança pública afirmam que os números reforçam a necessidade de aprimorar mecanismos de controle externo da atividade policial, fortalecer protocolos de uso da força e ampliar a transparência das investigações envolvendo mortes decorrentes de ações policiais.

Outro dado que preocupa especialistas é o perfil das vítimas. Levantamentos nacionais indicam que a maioria das pessoas mortas em intervenções policiais é composta por jovens e negros, fenômeno observado em diversas regiões do país.

Debate deve ganhar espaço no Amapá

Os números divulgados pelo Anuário tendem a intensificar o debate sobre políticas de segurança pública no Amapá, especialmente em um momento em que o estado também enfrenta desafios relacionados à expansão de facções criminosas, ao tráfico de drogas na região de fronteira e aos elevados índices de homicídios.

A permanência do Amapá na liderança nacional da letalidade policial por sete anos consecutivos coloca o tema entre os principais desafios para as autoridades estaduais e para os candidatos que disputarão o comando do governo nas eleições de 2026.

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