Estado está entre as áreas da Amazônia que podem sentir com maior intensidade os efeitos do fenômeno entre agosto e outubro. Censipam prevê chuvas abaixo da média, temperaturas elevadas e períodos prolongados de estiagem

O fortalecimento do El Niño coloca o Amapá em situação de alerta para os próximos meses. Prognóstico climático do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) aponta possibilidade de redução das chuvas, períodos prolongados de seca, temperaturas acima da média e aumento do risco de queimadas e incêndios florestais no estado.
Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil nesta quarta-feira (26), o prognóstico para o trimestre de agosto a outubro de 2026 indica atraso das chuvas no Centro-Norte da Amazônia, com atenção especial para o Amapá.
O período normalmente representa a transição da estiagem para a retomada das chuvas. Neste ano, entretanto, a mudança poderá ocorrer de maneira irregular, alternando pancadas isoladas com longos intervalos sem precipitação.
Amapá pode ter chuvas abaixo da média
De acordo com o Censipam, a redução das chuvas deverá atingir de forma abrangente o território amapaense. A previsão também alcança outros estados da Amazônia Legal, mas o Amapá aparece entre as áreas sob atenção diante da persistência do tempo seco e quente no extremo Norte.
O cenário é consequência do fortalecimento do El Niño. A consolidação do fenômeno em junho foi marcada por forte aquecimento das águas do Pacífico Equatorial, com anomalias superiores a 4°C próximas à costa oeste da América do Sul. O aquecimento alcança camadas profundas do oceano, favorecendo sua persistência.
Para a população do Amapá, os efeitos podem ir além do aumento da temperatura. A falta de chuvas consistentes pode provocar redução da umidade do solo, ressecamento da vegetação e dificuldades para recuperação dos níveis dos rios e de reservatórios superficiais.

Risco de incêndios aumenta
Uma das principais preocupações é com o fogo. A combinação de temperaturas elevadas, pouca chuva, baixa umidade relativa do ar e vegetação ressecada cria condições favoráveis à propagação de queimadas e incêndios florestais.
O boletim do Censipam aponta alto risco de fogo em áreas da Região Norte durante o trimestre. A previsão é de temperaturas acima da média histórica em toda a Amazônia Legal.
O alerta ganha importância diante dos números já registrados no Amapá. Segundo dados do Corpo de Bombeiros divulgados neste mês, 502 ocorrências de incêndio foram registradas somente no primeiro semestre de 2026, incluindo casos em vegetação, terrenos e imóveis. Macapá e Santana concentraram a maior quantidade de ocorrências.
Com uma estiagem mais severa, pequenos focos provocados pela ação humana podem encontrar condições favoráveis para avançar rapidamente sobre áreas de vegetação.
Defesa Civil já vinha acompanhando cenário
O alerta não é novo. Em junho, a Defesa Civil do Amapá informou que acompanhava os prognósticos para a formação do El Niño no segundo semestre.
Naquele momento, nota técnica elaborada por INPE, Inmet, Funceme e Censipam apontava probabilidade superior a 80% de estabelecimento do fenômeno. O Governo do Amapá já destacava entre os possíveis efeitos a diminuição das chuvas, aumento das temperaturas, redução dos níveis dos rios e maior risco de queimadas.
A Defesa Civil informou que mantém monitoramento das condições meteorológicas e hidrológicas e dos níveis dos rios para subsidiar medidas preventivas nos municípios.
Seca pode atingir também rios e abastecimento
O problema não se restringe aos incêndios. A persistência da estiagem pode exercer pressão sobre os recursos hídricos, especialmente em comunidades mais vulneráveis e localidades que dependem diretamente de rios e outros mananciais.
A redução dos níveis dos rios pode afetar transporte, abastecimento, pesca e atividades de comunidades ribeirinhas. O próprio Censipam chama atenção para os riscos relacionados à distribuição de água diante da combinação entre ausência prolongada de chuvas e temperaturas elevadas.
O cenário reforça a necessidade de prevenção durante os próximos meses. Entre as recomendações já divulgadas pela Defesa Civil estão evitar queimadas, utilizar água de forma consciente e acompanhar os alertas emitidos pelos órgãos oficiais.
Para o Amapá, portanto, o segundo semestre de 2026 poderá ser marcado por um período mais quente e seco que o habitual. A evolução do El Niño e o comportamento das chuvas nas próximas semanas serão determinantes para definir a intensidade dos impactos no estado.







