Candidata do Podemos aparece na frente na disputa por uma das vagas do Amapá, mas ausência em entrevistas tem provocado questionamentos em redes sociais

A candidata ao Senado pelo Amapá Rayssa Furlan (Podemos) chega à campanha eleitoral de 2026 dar entrevistas e falar sobre os projetos que pretende defender caso seja eleita para um mandato de oito anos.
O comportamento ganhou maior repercussão nesta semana depois que Rayssa não compareceu à sabatina do Sistema Diário de Comunicação, para a qual havia sido sorteada como a primeira candidata a participar da rodada de entrevistas com os concorrentes ao Senado.
Rayssa não enviou representante para a reunião preparatória e, no dia marcado para sua entrevista, não compareceu ao estúdio nem apresentou justificativa para a ausência, segundo a emissora.
A ausência chama atenção especialmente pela posição ocupada pela candidata na disputa. Pesquisa Quaest divulgada na terça-feira (25) mostra Rayssa na liderança, com 27% das intenções de voto, seguida por Randolfe Rodrigues (PT), com 19%, Lucas Barreto (PSD), com 18%, e Alliny Serrão (União), com 9%. O levantamento ouviu 804 eleitores entre os dias 21 e 24 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais e está registrado no TSE sob o número AP-09438/2026.
Outro levantamento, da Real Time Big Data, divulgado em julho, também colocou Rayssa na primeira posição, com 32%, contra 18% de Randolfe Rodrigues e 12% de Lucas Barreto. Foram entrevistados 1.600 eleitores, e a margem de erro foi de dois pontos percentuais.
Pouca exposição deixa perguntas sem respostas
A estratégia de evitar determinados espaços de entrevistas não é inteiramente nova. Na campanha de 2022, adversários já criticavam Rayssa por recusar entrevistas ao vivo. Naquele ano, João Capiberibe chegou a questionar publicamente o fato de a então candidata ter declinado de uma rodada de entrevistas promovida pela Rádio Tarumã e pelo Portal SelesNafes.
Em 2026, a ausência em uma sabatina de uma hora ganha importância porque, até agora, a campanha da candidata tem dado maior destaque à sua imagem pessoal sem à apresentação detalhada de uma plataforma legislativa.
Questões fundamentais permanecem à espera de respostas mais aprofundadas: quais projetos Rayssa pretende apresentar ou apoiar no Senado? Qual será sua posição sobre a exploração de petróleo na Margem Equatorial? Como pretende atuar em relação à BR-156, ao desenvolvimento econômico, à geração de empregos, à saúde, à educação e à segurança pública? E qual será sua posição em temas nacionais que dependem diretamente do voto dos senadores?
São perguntas especialmente relevantes porque um mandato no Senado dura oito anos e envolve responsabilidades que vão muito além da apresentação de emendas parlamentares.
Senado tem poderes exclusivos
A importância de conhecer as posições dos candidatos aumenta diante das atribuições constitucionais da chamada Câmara Alta.
Além de participar da elaboração e votação das leis juntamente com a Câmara dos Deputados, o Senado possui competências exclusivas previstas no artigo 52 da Constituição.
Entre elas estão processar e julgar o presidente e o vice-presidente da República nos crimes de responsabilidade, assim como ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), membros do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), o procurador-geral da República e o advogado-geral da União, nas hipóteses previstas constitucionalmente.
Também cabe aos senadores sabatinar e aprovar indicações para cargos estratégicos da República, entre eles ministros de tribunais superiores em situações previstas pela Constituição, ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo presidente, presidente e diretores do Banco Central, procurador-geral da República e embaixadores.
O Senado ainda participa da fiscalização dos atos do Poder Executivo, da apreciação das contas da Presidência da República e do controle da aplicação dos recursos públicos, além de poder instalar comissões parlamentares de inquérito.
Ou seja, escolher um senador significa também decidir quem terá poder para votar indicações para algumas das principais instituições brasileiras e participar de julgamentos políticos de autoridades do mais alto escalão da República.
Segunda eleição da carreira

Rayssa Furlan é médica e foi primeira-dama de Macapá durante a administração do marido, o ex-prefeito Antônio Furlan. Também exerceu a função de secretária municipal de Mobilização e Participação Popular.
Apesar da passagem pelo Executivo municipal, Rayssa nunca exerceu mandato eletivo.
Sua primeira disputa eleitoral ocorreu justamente para o Senado, em 2022. Na ocasião, ainda filiada ao MDB, começou a campanha como estreante na política.
Mesmo sem experiência eleitoral anterior, obteve votação expressiva: foram 174.128 votos, ficando em segundo lugar. Davi Alcolumbre, eleito naquele pleito, recebeu 196.087 votos.
A eleição de 2026 é, portanto, sua segunda candidatura e novamente para o Senado Federal.
Liderança aumenta cobrança por propostas
A condição de líder nas pesquisas naturalmente amplia a cobrança para que Rayssa apresente ao eleitor não apenas sua imagem de campanha, mas também posições objetivas sobre os assuntos que poderá decidir caso seja eleita.
A ausência na sabatina do Sistema Diário impediu, pelo menos naquela oportunidade, que a candidata fosse confrontada diretamente sobre temas estaduais e nacionais.
A campanha eleitoral ainda está em andamento e Rayssa poderá participar de outras entrevistas, sabatinas e debates, além de apresentar formalmente suas propostas ao eleitorado.
Até aqui, porém, existe um contraste político evidente: a candidata que aparece na liderança das pesquisas para ocupar uma das três cadeiras do Amapá no Senado é justamente uma das que menos se submetem ao contraditório público e ao questionamento direto sobre o mandato que pretende exercer.
Para o eleitor, conhecer essas respostas é particularmente importante. Afinal, o voto para senador em 2026 não definirá apenas quem representará o Amapá em Brasília. Definirá quem, pelos próximos oito anos, terá participação direta em algumas das decisões políticas, econômicas e institucionais mais importantes da República.








