Luís Felipe Amorim Ferreira, de 32 anos, possui empresas em Santarém e Macapá e preside clube de futebol amapaense; Polícia Civil investiga esquema de lavagem de dinheiro ligado a uma facção criminosa

O empresário Luís Felipe Amorim Ferreira, de 32 anos, é um dos dois homens presos em flagrante durante a Operação Testa de Ferro, ação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que resultou na apreensão de R$ 2,05 milhões em dinheiro vivo .
Segundo as investigações, a operação mira um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado a uma facção criminosa originária do Rio de Janeiro e com atuação no Amapá. Além dos mais de R$ 2 milhões encontrados em espécie, aproximadamente R$ 3 milhões foram bloqueados em contas bancárias, elevando para cerca de R$ 5 milhões o montante atingido pelas medidas policiais e judiciais.
A apreensão do dinheiro vivo é apontada como a maior já realizada no Amapá.
Quem é Luís Felipe Amorim Ferreira
Luís Felipe é apontado como um dos principais personagens da investigação. Segundo informações o empresário é proprietário da Mega Norte Distribuidora, sediada em Santarém, no Pará, da Distribuidora Nova União e aparece como sócio-administrador da Mega Motos, em Macapá.
Consultas a dados empresariais públicos reforçam a atuação de Luís Felipe no setor comercial. Ele aparece como sócio-administrador da Mega Motos Comércio Ltda., empresa que tem entre suas atividades a comercialização de motocicletas, peças e acessórios. Também aparece como sócio-administrador da Mega Norte Distribuidora, de Santarém.
Além da atuação empresarial, Luís Felipe é presidente do Rio Norte Futebol Clube, equipe que conquistou o título da Série B do Campeonato Amapaense. A atuação no futebol ampliou sua presença no meio esportivo local.

Polícia investiga atuação como possível “testa de ferro”
O nome dado à operação está diretamente relacionado a uma das linhas investigativas.
A polícia apura se Luís Felipe teria exercido a função de “testa de ferro”, expressão utilizada para designar uma pessoa que formalmente aparece à frente de patrimônio, empresas ou negócios que, na realidade, poderiam beneficiar terceiros.
Essa hipótese ainda está sob investigação. Não há, até o momento, condenação de Luís Felipe pelos fatos investigados na Operação Testa de Ferro.
A investigação teve origem em um desdobramento da Operação Red Fall, realizada em maio de 2025. Segundo a polícia, a apuração identificou empresas suspeitas de serem utilizadas para movimentar recursos provenientes do tráfico de drogas.
Dinheiro teria saído de Santarém
Um dos elementos que chamaram a atenção dos investigadores foi justamente a rota percorrida pelo dinheiro.
De acordo com a Polícia Civil, os R$ 2,05 milhões apreendidos teriam saído de Santarém, no Pará, com destino ao Amapá, transportados por embarcações.
O dinheiro estaria escondido no fundo de caixas identificadas com logotipos relacionados ao comércio de peças para motocicletas. Mercadorias eram colocadas sobre as cédulas e a carga ainda era coberta com capas de chuva, numa estratégia que, segundo a investigação, buscava dificultar a identificação do dinheiro durante o transporte.
A conexão com Santarém ganha relevância porque Luís Felipe mantém atividades empresariais naquela cidade. Dados cadastrais consultados mostram, inclusive, outra empresa da qual ele aparece como sócio-administrador, a Centro Norte Representações, aberta em maio deste ano e com capital social declarado de R$ 1,7 milhão.

Polícia monitorou movimentações financeiras
O delegado Estéfano Santos, titular da Draco, explicou que uma das empresas investigadas passou a receber grandes quantias e realizar sucessivos saques bancários.
O comportamento financeiro levou os investigadores a intensificar o monitoramento e buscar autorização judicial para as medidas de busca, apreensão e bloqueio patrimonial.
Segundo a investigação, parte das movimentações financeiras suspeitas ocorreu no Amapá, envolvendo depósitos e retiradas de valores elevados.
Durante as diligências, além do dinheiro, foram apreendidos veículos e uma arma de fogo. Uma Toyota SW4 e um Volkswagen T-Cross estariam entre os veículos apreendidos e que, segundo a investigação, eram utilizados para transportar valores.
Empresário foi localizado em condomínio de alto padrão
Os policiais chegaram até Luís Felipe em um condomínio residencial localizado na região da Rodovia Duca Serra, em Macapá. Equipes estiveram na residência do empresário no Villa Bella Residence Club, na região do Marabaixo.
O segundo homem preso foi identificado como Caio César Santos Pereira. Dados empresariais públicos mostram Caio César como sócio-administrador da Gran Ciclo Empreendimentos Ltda., empresa de Macapá cuja atividade principal declarada é a representação comercial.
A reportagem não conseguiu contato com as defesas dos dois presos . O espaço permanece aberto para manifestação dos investigados e de seus advogados.








