Quaest mostra governador avançando cinco pontos e diferença entre os dois principais candidatos caindo de 20 para 13 pontos; investigações sobre pessoas apontadas como ligadas a facções que ocuparam cargos na gestão municipal entraram no centro do debate eleitoral

A disputa pelo Governo do Amapá entra na reta final com uma redução significativa da vantagem do ex-prefeito de Macapá Antônio Furlan (PSD) sobre o governador Clécio Luís (União Brasil). A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta quinta-feira (24), mostra Furlan com 53% das intenções de voto e Clécio com 40%.
Na comparação com a rodada anterior do mesmo instituto, realizada em agosto, a distância nominal entre os dois principais candidatos caiu de 20 para 13 pontos percentuais.
Furlan tinha 55% e agora aparece com 53%, uma oscilação nominal de dois pontos. Clécio, por sua vez, passou de 35% para 40%, crescimento nominal de cinco pontos. As variações precisam ser analisadas considerando a margem de erro de três pontos percentuais de cada levantamento.
Clécio avança na reta final
Os números mostram uma movimentação na disputa a poucos dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Embora Furlan continue numericamente à frente, a vantagem registrada pela Quaest diminuiu sete pontos em aproximadamente um mês.
O movimento também aparece em levantamento de outro instituto. Pesquisa Doxa divulgada em 11 de setembro apontou Furlan com 50,8% e Clécio com 39,6%. Na comparação com uma pesquisa anterior da própria Doxa, de abril, a diferença havia caído de 28,2 para 11,2 pontos.
Os levantamentos utilizam metodologias e períodos diferentes e, por isso, seus percentuais não devem ser comparados diretamente entre institutos. Dentro das respectivas séries, entretanto, tanto Quaest quanto Doxa registraram redução nominal da distância entre os dois candidatos.
Caso das facções entra no centro da campanha
A redução da vantagem de Furlan acontece no momento em que investigações envolvendo pessoas apontadas como ligadas ao crime organizado e que tiveram vínculos com a Prefeitura de Macapá passaram a ocupar espaço relevante no debate eleitoral.
Reportagem da CNN Brasil, publicada em 16 de setembro, informou que investigação da Polícia Civil identificou ao menos 12 pessoas apontadas como ligadas ao crime organizado que foram formalmente contratadas ou nomeadas pela Prefeitura de Macapá entre 2021 e 2026, período da administração Furlan.
Segundo fonte ligada à investigação ouvida pela CNN, 11 seriam integrantes da Família Terror do Amapá (FTA) e uma teria ligação com o Comando Vermelho. A Polícia Civil trata as contratações investigadas como indícios de possível infiltração do crime organizado no poder público municipal.
Furlan nega qualquer relação com organizações criminosas. Em nota divulgada à CNN, afirmou que as nomeações realizadas durante sua administração seguiram os procedimentos legais e administrativos e argumentou que não seria possível ao chefe do Executivo conhecer aspectos da vida pessoal dos milhares de servidores da administração. O candidato também sustenta que é alvo de perseguição política e cita declaração do titular da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado segundo a qual as investigações da unidade não apontam indícios que o relacionem pessoalmente a facções.
Repercussão eleitoral ainda precisa ser medida
As investigações e reportagens sobre o assunto passaram a ter maior repercussão durante setembro e foram incorporadas ao confronto político entre as duas principais candidaturas. O próprio ConectAmapá já havia mostrado que o tema da possível infiltração do crime organizado no poder público passou a ocupar posição central na reta final da campanha.
A pesquisa Quaest foi realizada entre 20 e 23 de setembro, portanto já captou parte desse período de maior exposição pública do assunto. Ainda assim, os dados disponíveis não permitem estabelecer uma relação de causa e efeito entre as investigações e a redução da diferença eleitoral.
O que os números permitem afirmar é que a vantagem de Furlan diminuiu nominalmente enquanto Clécio avançou na série da Quaest.
Diferença cai de 20 para 13 pontos
Na pesquisa de agosto, o cenário era:
Furlan: 55%
Clécio Luís: 35%
Diferença: 20 pontos
Agora, em setembro:
Furlan: 53%
Clécio Luís: 40%
Diferença: 13 pontos
A Quaest entrevistou 804 eleitores com 16 anos ou mais entre 20 e 23 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi encomendado pela Rede Amazônica e registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número AP-02117/2026.
Com pouco mais de uma semana até a votação, a evolução das pesquisas mostra uma disputa menos distante do que a registrada pela Quaest no mês anterior. Se o movimento observado entre agosto e setembro terá continuidade até 4 de outubro é uma questão que dependerá do comportamento do eleitor nos últimos dias da campanha e dos próximos levantamentos.








