MDB tenta impedir divulgação da pesquisa Quaest/Rede Amazônica

TRE-AP negou o pedido e a divulgação deverá ocorrer neste sábado,3. Partido questionou metodologia, informações sobre as entrevistas e possível impacto na margem de erro

O Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) negou o pedido do MDB para suspender a divulgação da nova pesquisa eleitoral da Quaest, encomendada pela Rede Amazônica – afiliada da Rede Globo –  sobre as eleições para governador e senador.

A pesquisa, registrada no sistema da Justiça Eleitoral sob o número AP-08084/2026, prevê 1.800 entrevistas realizadas nos dias 2 e 3 de outubro, com a divulgação do resultado hoje, 3 de outubro. O pedido para impedir a publicação foi apresentado pelo diretório estadual do MDB.

O que o MDB questionou?

O partido alegou que a pesquisa não apresentava detalhes suficientes sobre alguns dos critérios usados para ajustar os resultados. Um dos principais questionamentos foi sobre a forma como a pesquisa pretende identificar o comportamento dos eleitores com maior probabilidade de comparecer às urnas. 

O MDB afirmou que não estavam claros os critérios utilizados, os pesos atribuídos aos dados e os parâmetros considerados neste cálculo. O partido também comparou a nova pesquisa com um levantamento anterior da Quaest. Segundo o MDB, a pesquisa anterior tinha uma pergunta específica relacionada ao comparecimento do eleitor às urnas, informação que não aparece no questionário do levantamento atual.

Além disso, o MDB questionou a falta de informações mais detalhadas sobre os locais onde as entrevistas seriam realizadas, apontou a ausência do relatório completo e afirmou que as escolhas feitas na metodologia poderiam interferir na margem de erro apresentada pela pesquisa.

Diante dos questionamentos, o partido pediu que a Justiça Eleitoral suspendesse a divulgação dos resultados até que as informações consideradas necessárias fossem apresentadas.

Divulgação mantida

Ao analisar o pedido, o juiz Felipe Handro entendeu que os argumentos apresentados pelo MDB não eram suficientes, neste momento, para impedir a divulgação.

Segundo a decisão, a pesquisa já apresenta informações sobre a forma como a amostra será formada e sobre o perfil dos entrevistados. O levantamento prevê 1.800 entrevistas, realizadas presencialmente e em domicílios, com dados distribuídos de acordo com características como sexo, idade, renda e escolaridade.

A pesquisa também informa nível de confiança de 95% e margem de erro máxima de aproximadamente dois pontos percentuais.

O magistrado afirmou ainda que as regras eleitorais exigem que as pesquisas apresentem informações sobre metodologia, amostra, margem de erro, nível de confiança e questionário, mas não determinam que todos os cálculos e critérios matemáticos utilizados para ajustar os resultados sejam divulgados previamente.

Pesquisa anterior 

O juiz também analisou o argumento do MDB sobre a diferença entre o questionário atual e o utilizado em uma pesquisa anterior da Quaest.

Na avaliação do magistrado, o fato de a pesquisa anterior ter uma pergunta específica sobre comparecimento às urnas não significa que a pesquisa atual esteja irregular.

A decisão destaca que as regras da Justiça Eleitoral não obrigam a empresa a utilizar uma pergunta específica sobre comparecimento dos eleitores para fazer esse tipo de estimativa.

Informações podem ser complementadas

Outro ponto questionado foi a ausência, no momento do pedido, de informações mais detalhadas sobre os municípios, bairros e setores onde seriam realizadas as entrevistas. O juiz explicou que a própria regulamentação da Justiça Eleitoral permite que essas informações sejam complementadas dentro de um prazo específico.

Como a pesquisa está prevista para ser divulgada em 3 de outubro, o sistema da Justiça Eleitoral indica 4 de outubro como prazo final para essa complementação. O mesmo entendimento foi aplicado ao relatório completo da pesquisa, cuja apresentação também poderia ser complementada dentro dos prazos previstos.

Com isso, a decisão mantém a divulgação da pesquisa da Quaest prevista para 3 de outubro, mas os questionamentos apresentados pelo MDB continuam sendo discutidos dentro do processo eleitoral.

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