Presidente da Petrobras menospreza estrutura do Amapá e diz que Belém está mais preparada para apoiar exploração de petróleo

Magda Chambriard afirma que capital paraense reúne melhores condições logísticas que Oiapoque para atender operações na costa amapaense; declaração levanta questionamentos sobre investimentos, empregos e benefícios econômicos que poderão ficar fora do estado

Magda falou durante visita a Belém para participar das celebrações do Círio de Nazaré, cuja principal procissão acontece neste domingo (11)

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, colocou em segundo plano a capacidade logística do Amapá ao afirmar que Belém, capital do Pará, está mais preparada do que Oiapoque para oferecer suporte às operações de exploração de petróleo na Margem Equatorial. A declaração foi feita nesta sexta-feira (9), durante visita à capital paraense, e divulgada em reportagem da CNN Brasil.

A manifestação da executiva chama atenção porque as descobertas de petróleo que motivam os investimentos estão localizadas na costa amapaense, mas parte importante da estrutura operacional e dos possíveis benefícios econômicos poderá ficar concentrada no estado vizinho.

Segundo a presidente da estatal, Belém reúne condições mais favoráveis para funcionar como centro logístico de um eventual polo petrolífero na região.

“Belém é uma base de apoio importante para qualquer trabalho a ser realizado no Amapá“, declarou Magda Chambriard.

A afirmação evidencia um desafio para o Amapá: embora o estado esteja no centro das descobertas que podem transformar a economia regional, ainda precisa ampliar sua infraestrutura para disputar os investimentos associados à atividade petrolífera.

Magda falou durante visita a Belém para participar das celebrações do Círio de Nazaré, cuja principal procissão acontece neste domingo (11). A perspectiva de desenvolvimento da estrutura logística acompanha a expectativa da companhia de confirmar um novo polo petrolífero no Norte do país.

PETRÓLEO NO AMAPÁ, ESTRUTURA NO PARÁ

A possibilidade de Belém concentrar atividades logísticas relacionadas à exploração de petróleo na costa amapaense coloca em discussão a distribuição dos investimentos e das oportunidades econômicas decorrentes do empreendimento.

Uma eventual consolidação da capital paraense como principal centro de apoio poderá favorecer a instalação de empresas prestadoras de serviços, estruturas de armazenamento, transporte, manutenção e outras atividades ligadas à indústria petrolífera.

Para o Amapá, o risco é participar dessa nova fronteira energética sem conseguir atrair, na mesma proporção, os investimentos e empregos indiretos que poderão surgir com o desenvolvimento do setor.

A escolha de Belém, entretanto, não representa uma decisão inédita. Desde 2023, a Petrobras já previa a utilização do porto da capital paraense como base logística, enquanto o aeroporto de Oiapoque seria utilizado como base aérea das operações.

As declarações de Magda reforçam essa estratégia e tornam ainda mais urgente a discussão sobre os investimentos necessários para ampliar a participação do Amapá na cadeia produtiva do petróleo.

OIAPOQUE PODE PERDER OPORTUNIDADE HISTÓRICA

Localizado no extremo norte do Amapá, Oiapoque ocupa posição estratégica em relação às atividades de exploração na Bacia da Foz do Amazonas.

O município poderá desempenhar papel importante no desenvolvimento da indústria petrolífera, especialmente na prestação de serviços, transporte, logística e geração de empregos.

Entretanto, a avaliação da presidente da Petrobras de que Belém está mais preparada evidencia as limitações de infraestrutura que precisam ser superadas para que Oiapoque amplie sua participação no empreendimento.

A situação também coloca em debate a responsabilidade dos governos federal, estadual e municipal na criação das condições necessárias para atrair investimentos privados e públicos.

Sem planejamento e investimentos em infraestrutura, o Amapá corre o risco de assistir à expansão de uma atividade econômica de grande potencial em seu litoral enquanto parte significativa dos negócios associados à exploração se desenvolve fora de seu território.

DESCOBERTAS AUMENTAM POTENCIAL ECONÔMICO DO AMAPÁ

As declarações da presidente da Petrobras ocorrem em um momento de expectativa em torno das descobertas de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas.

Em agosto, a estatal anunciou a identificação de petróleo no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, na costa amapaense.

No início de outubro, a companhia confirmou a identificação de uma segunda camada com petróleo no mesmo poço, ampliando as perspectivas sobre o potencial da região.

As análises iniciais indicaram boa qualidade do óleo encontrado na primeira camada. Entretanto, ainda são necessários estudos complementares para determinar o volume das reservas e a viabilidade comercial de uma futura produção.

A Petrobras possui autorização para perfurar outros três poços de delimitação, que deverão fornecer informações mais precisas sobre a extensão das acumulações de petróleo.

Magda Chambriard também mencionou a previsão de novas perfurações no Amapá, dentro da estratégia da companhia de ampliar suas reservas e desenvolver novas fronteiras exploratórias.

AMAPÁ PRECISA GARANTIR PARTICIPAÇÃO NOS BENEFÍCIOS

A perspectiva de desenvolvimento de um novo polo petrolífero na Margem Equatorial representa uma oportunidade de transformação econômica para o Amapá.

Além da possibilidade de receitas públicas decorrentes de uma futura produção, a atividade poderá estimular investimentos em infraestrutura, qualificação profissional, serviços especializados e novos empreendimentos.

Entretanto, a localização das descobertas na costa amapaense não garante, por si só, que o estado concentrará os benefícios econômicos da atividade.

A decisão sobre onde instalar bases operacionais e estruturas de apoio poderá influenciar diretamente a distribuição de empregos, contratos e investimentos entre o Amapá e o Pará.

Nesse cenário, as declarações da presidente da Petrobras reforçam a necessidade de uma estratégia de desenvolvimento que assegure ao Amapá condições efetivas de participar da cadeia econômica do petróleo.

O desafio é impedir que o estado se transforme apenas em referência geográfica das descobertas, enquanto os principais investimentos e oportunidades de negócios sejam direcionados a outras regiões.

A discussão ganha relevância justamente quando a Petrobras identifica novas ocorrências de petróleo na costa amapaense e amplia as expectativas de abertura de uma nova fronteira energética no país.

Embora a exploração ainda esteja em fase de avaliação e não exista confirmação de produção comercial, o planejamento da infraestrutura necessária para sustentar essa atividade já está em andamento.

Para o Amapá, a questão central é saber se o estado estará preparado para aproveitar essa oportunidade histórica ou se continuará dependendo da estrutura de outras unidades da Federação para participar de um empreendimento desenvolvido em seu próprio litoral.

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