Estado registra alta de 4,79% no estoque de empregos com carteira assinada entre janeiro e julho, maior crescimento proporcional entre as 27 unidades da Federação

O Amapá registrou o maior crescimento proporcional do emprego formal do Brasil no acumulado de 2026. Dados do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que o estoque de trabalhadores com carteira assinada no estado avançou 4,79% entre janeiro e julho.
O desempenho coloca o Amapá na liderança nacional quando considerada a variação percentual do emprego. Na sequência aparecem Mato Grosso, com crescimento de 3,96%, e Piauí, com 3,74%.
O resultado chama atenção principalmente porque ocorre em um cenário nacional de desaceleração na criação de postos de trabalho e de retração no comércio.
Amapá amplia liderança no decorrer do ano
Os números mostram que o mercado de trabalho amapaense ganhou força ao longo de 2026. No fechamento do primeiro semestre, de janeiro a junho, o Amapá já aparecia na primeira posição nacional em crescimento proporcional, com alta de 4,25%. Naquele momento, Acre, com 3,38%, e Mato Grosso, com 3,36%, completavam as primeiras posições.
Com a incorporação dos dados de julho, o índice amapaense passou de 4,25% para 4,79%, mantendo o estado no topo do ranking nacional.
O desempenho também mostra uma evolução em relação aos números registrados anteriormente. Em maio, por exemplo, o Amapá possuía estoque de 106.948 postos de trabalho formais. Somente naquele mês foram registradas 4.870 admissões e 4.303 desligamentos, resultando em saldo positivo de 567 empregos.
Resultado do Amapá contrasta com desaceleração nacional
Enquanto o Amapá lidera proporcionalmente a expansão do emprego em 2026, o mercado de trabalho brasileiro apresenta sinais de perda de ritmo.
Em julho, o Brasil criou 58.568 empregos formais, resultado de 2.262.888 admissões e 2.204.320 desligamentos. Foi o quarto mês consecutivo em que a geração de empregos apresentou o pior desempenho para o respectivo mês desde 2020. Na comparação com julho de 2025, quando foram abertas aproximadamente 133 mil vagas, houve redução de cerca de 56%.
Apesar da desaceleração recente, o saldo nacional permanece positivo. De janeiro a julho, foram criados 972.203 postos formais, crescimento de 2,06%. O estoque brasileiro chegou a 48,08 milhões de empregos com carteira assinada.
Nesse contexto, o crescimento proporcional de 4,79% registrado pelo Amapá é mais que o dobro da expansão de 2,06% observada nacionalmente no mesmo período.
Comércio vai na contramão
O desempenho positivo do mercado de trabalho brasileiro não se distribui igualmente entre os setores. O comércio foi o único dos cinco grandes grupamentos econômicos a registrar saldo negativo tanto em julho quanto no acumulado do ano.
Somente em julho, foram eliminados 2.056 empregos formais no comércio brasileiro. Entre janeiro e julho, o setor acumulou perda de 7.896 postos de trabalho, retração de 0,08%. A queda foi influenciada especialmente pelo varejo.
Já os demais setores fecharam os sete primeiros meses de 2026 no azul. Serviços liderou, com 591.519 novos empregos, seguido pela Construção, com 180.449; Indústria, com 154.052; e Agropecuária, com 54.106 vagas.
Amapá tem melhor desempenho proporcional do país
Os dados reforçam uma particularidade do mercado de trabalho amapaense em 2026. Embora estados economicamente maiores concentrem a maior quantidade absoluta de empregos criados — São Paulo lidera com 267.107 novas vagas, seguido por Minas Gerais, com 113.981 —, nenhuma unidade da Federação cresceu proporcionalmente tanto quanto o Amapá.
O avanço de 4,79% entre janeiro e julho coloca o estado acima de economias com mercados de trabalho significativamente maiores e confirma uma trajetória que já vinha sendo observada no primeiro semestre.
No cenário nacional, apenas Alagoas apresentou variação acumulada negativa no emprego formal em 2026, com queda de 1,54%, enquanto o Amapá ocupou o extremo oposto do ranking, com a maior expansão percentual do país.








