Número de casos atendidos no HCA e no PAI cresceu 99,4% em relação a 2025, mas mudança nos critérios de diagnóstico explica parte da alta; casos graves seguem sob vigilância

Antes de acender um alerta para um possível agravamento das doenças respiratórias, os dados da rede pública de saúde do Amapá exigem uma análise cuidadosa. O número de atendimentos por síndromes gripais em crianças praticamente dobrou no primeiro semestre de 2026, mas parte desse crescimento está diretamente relacionada à ampliação dos critérios de diagnóstico adotada pelo Ministério da Saúde.
Levantamento do Hospital da Criança e do Adolescente (HCA) e do Pronto Atendimento Infantil (PAI) aponta que foram registrados 6.798 atendimentos por Síndrome Gripal (SG) entre janeiro e junho deste ano, contra 3.409 no mesmo período de 2025 — um aumento de 99,4%.
Segundo a responsável técnica do Núcleo de Epidemiologia do HCA, Ingrid Martins, a mudança nas diretrizes nacionais, implementada em fevereiro, ampliou o número de pacientes enquadrados como casos de síndrome gripal.
Com a atualização, passaram a integrar a definição clínica sintomas como dor de garganta, coriza e faringite, além dos sinais já considerados anteriormente. A alteração provocou um aumento imediato nas notificações registradas pelas unidades de saúde.
Apesar disso, Ingrid ressalta que os dados também mostram uma nova elevação na procura por atendimento entre as semanas epidemiológicas 20 e 26, compreendidas entre 17 de maio e 4 de junho, cenário que mantém o sistema de saúde em estado de atenção e reforça a necessidade de monitoramento contínuo.
Casos graves também cresceram
Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) apresentaram crescimento mais discreto. No primeiro semestre de 2026 foram registrados 765 casos, frente aos 701 contabilizados no mesmo período do ano passado, uma alta de 9,1%.
Embora o aumento seja significativamente menor que o observado nos atendimentos por síndrome gripal, os pacientes com quadros graves permanecem sob vigilância das equipes de saúde.
Vacinação segue a principal proteção
Como estratégia para reduzir complicações, o Hospital da Criança e do Adolescente mantém a vacinação de crianças internadas que ainda não completaram o esquema vacinal. Outra medida considerada essencial é a imunização de gestantes, que permite a transferência de anticorpos ao bebê durante a gravidez, protegendo a criança nos primeiros meses de vida.
Os profissionais de saúde reforçam ainda que crianças pequenas são mais suscetíveis às infecções respiratórias porque possuem o sistema imunológico em desenvolvimento e vias aéreas mais estreitas, fatores que aumentam o risco de agravamento causado por vírus respiratórios.
Com o período de maior circulação desses vírus, a orientação é manter a vacinação em dia, reforçar a higiene das mãos, evitar contato de crianças com pessoas doentes e procurar atendimento médico diante de sinais de dificuldade respiratória, febre persistente ou piora do quadro clínico.








