Descoberta de petróleo na costa do Amapá será destaque no discurso de Lula no 7 de Setembro

Presidente vai citar nova fronteira petrolífera da Margem Equatorial ao defender soberania nacional e aproveitamento das riquezas brasileiras; pronunciamento será transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão

Pronunciamento presidencial reforça o peso estratégico que o Amapá passa a ocupar no debate sobre o futuro energético e econômico do Brasil

A recente descoberta de petróleo na costa do Amapá ganhará espaço no pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alusivo ao 7 de Setembro. O petróleo encontrado pela Petrobras na Margem Equatorial será um dos argumentos utilizados pelo presidente para defender a soberania brasileira sobre suas riquezas naturais.

O pronunciamento terá 3 minutos e 43 segundos e será transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão. A exibição foi autorizada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, após consulta da equipe presidencial em razão do período eleitoral.

A referência ao petróleo coloca novamente o Amapá no centro de uma discussão nacional sobre energia, desenvolvimento econômico e soberania.

Descoberta

Lula vai mencionar que o Brasil descobriu recentemente uma nova reserva de petróleo e defender que as riquezas naturais do país sejam utilizadas em benefício da população.

O petróleo será tratado no mesmo eixo das reservas brasileiras de minerais críticos e terras raras. A mensagem presidencial será de que esses recursos devem contribuir para o desenvolvimento de tecnologia e para a criação de empregos qualificados no próprio país.

Embora o pronunciamento faça referência à Foz do Amazonas, a descoberta ocorreu em águas ultraprofundas na costa do Amapá.

Foi no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, que a Petrobras confirmou em agosto a presença de hidrocarbonetos. O poço está localizado a aproximadamente 175 quilômetros do litoral amapaense, sob uma lâmina d’água de 2.886 metros.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, confirmou posteriormente que o material encontrado é petróleo e classificou a descoberta como relevante para a abertura de uma nova fronteira exploratória brasileira.

Soberania nacional

A inclusão da descoberta no pronunciamento do 7 de Setembro reforça uma posição que Lula já havia manifestado durante sua visita ao Amapá, em agosto.

Na ocasião, ao visitar a estrutura utilizada pela Petrobras nas pesquisas exploratórias, o presidente classificou a descoberta como uma questão de “soberania nacional” e defendeu o direito do Brasil de decidir sobre suas riquezas naturais.

Agora, o mesmo conceito será levado ao pronunciamento nacional do Dia da Independência. Além do petróleo e das terras raras, Lula deverá abordar a defesa do território, das fronteiras, do meio ambiente e dos recursos naturais brasileiros.

Viabilidade comercial

Apesar do destaque político e econômico dado à descoberta, ainda existe um longo caminho antes de uma eventual produção.

A Petrobras confirmou a presença de petróleo no poço Morpho, mas ainda precisa realizar estudos e novas perfurações para determinar o tamanho das acumulações e verificar se existe volume suficiente para justificar comercialmente a exploração.

A expectativa da estatal é de que, caso a viabilidade seja confirmada e todas as etapas regulatórias e ambientais sejam superadas, a região possa começar a produzir petróleo em aproximadamente sete anos.

A entrada do petróleo encontrado na costa amapaense no pronunciamento presidencial do 7 de Setembro amplia a projeção nacional da descoberta e reforça o peso estratégico que a Margem Equatorial e o Amapá passaram a ocupar no debate sobre o futuro energético e econômico do Brasil.

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