O silêncio das autoridades frente à continuidade de ataques nas redes sociais gera apreensão a quatro meses do pleito

A quatro meses das eleições, lideranças partidárias no Amapá manifestam crescente preocupação com a atuação persistente de grupos organizados conhecidos como “milícias digitais”. Segundo dirigentes, que preferiram não se identificar por receio de represálias, o suposto silêncio da Justiça Eleitoral e do Ministério Público Eleitoral (MPE) diante de recentes operações policiais estaria permitindo que essas estruturas continuem a influenciar o cenário político estadual.
A preocupação central recai sobre a eficácia das medidas adotadas até o momento. Mesmo após ações da Polícia Federal deflagradas recentemente no estado para desarticular esquemas de desinformação e ataques coordenados, membros desses grupos seguem ativos nas redes sociais, replicando narrativas que, segundo os dirigentes, já teriam impactado resultados em pleitos passados e ameaçam a lisura do processo eleitoral que se aproxima.
Demanda por força-tarefa
No entendimento das fontes ouvidas pelo ConectAmapá, o enfrentamento ao fenômeno não pode se restringir a ações pontuais de repressão. Os dirigentes defendem que a Justiça Eleitoral adote uma postura de maior enfrentamento e crie uma força-tarefa permanente, voltada especificamente para o monitoramento rigoroso das redes sociais durante todo o período eleitoral.
O objetivo, segundo os críticos, é garantir que o debate democrático não seja sequestrado por métodos artificiais de disseminação de conteúdo. Para eles, a inércia dos órgãos de controle pode criar um “ambiente permissivo”, onde táticas de assédio e desinformação ganham terreno, desequilibrando a disputa entre os candidatos.
Ação

No último dia 28 de maio a Justiça Eleitoral do Amapá derrubou dez páginas nas redes sociais que fariam parte da “milícia digital” supostamente ligada ao ex-prefeito de Macapá Antônio Furlan (PSD).
As páginas no Instagram e no Facebook eram de informações da Prefeitura de Macapá e obras da cidade. Mas, segundo o inquérito da PF sob sigilo, o grupo também era usado para atacar adversários de Furlan com uso de deepfake, inteligência artificial e dados inverídicos.
A decisão foi da juíza eleitoral Paola Julien, do TRE-AP. Ela foi reconduzida ao cargo em maio do ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A investigação da PF aponta que as páginas receberam R$ 25 milhões de Verba pública e que o dinheiro teria sido usado de forma irregular.
A operação
As investigações apontam que os valores de R$ 25 milhões destinados à comunicação pública da Prefeitura de Macapá teriam sido desviados de sua finalidade original para custear influenciadores digitais, veículos e empresas de comunicação para a divulgação de ações de caráter político-eleitoral.
O ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), foi alvo das buscas. Ele deixou a Prefeitura de Macapá em março, um dia após ser alvo de outra operação, que apura suposta fraude em licitação para desviar R$ 70 milhões que deveriam ser aplicados em um hospital municipal.

Cobrança
De acordo com dirigentes partidários ouvidos pelo ConectAmapa muitos dos investigados continuam nas redes sociais atuando em favor do ex-prefeito e interferido nas eleições de 2026.
“A sensação é de impunidade. O que vimos nas operações foi apenas a ponta do iceberg, mas quem opera as redes continua livre, leve e solto. Se não houver uma resposta rápida e contundente, o pleito deste ano já nasce sob suspeita de manipulação”, afirmou um dos representantes partidários.








