Operação do Gaeco e da Ficco revela atuação de lideranças criminosas ligadas ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e assassinatos

A escalada da violência ligada ao crime organizado no Amapá ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (14), após o Ministério Público do Amapá e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrarem a Operação Saldo Zero, que investiga uma organização criminosa envolvida com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e ordens para execução de integrantes de facções rivais em Macapá.
Ao todo, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e sete mandados de prisão preventiva no estado. As ações contaram com apoio da Ficco (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado).
Segundo as investigações conduzidas pelo Núcleo de Investigações do Ministério Público (Nimp), a organização criminosa era comandada por lideranças que estariam em São Paulo e Belém, demonstrando a conexão interestadual das facções que passaram a atuar na Amazônia nos últimos anos.
De acordo com os investigadores, os criminosos determinavam execuções de rivais principalmente no Conjunto Habitacional Macapaba e em áreas da zona sul da capital amapaense, regiões que há anos convivem com episódios frequentes de homicídios, disputas territoriais e avanço do tráfico de drogas.
As investigações também apontam movimentações financeiras de aproximadamente R$ 2 milhões atribuídas ao grupo criminoso. Os suspeitos podem responder por integrar e financiar organização criminosa, tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de capitais.
Violência da guerra do tráfico chegou à Amazônia
A operação expõe um cenário cada vez mais preocupante no Amapá: a consolidação da presença de facções criminosas nacionais na região amazônica.
Durante décadas, os grandes confrontos entre organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas ficaram concentrados principalmente em estados do Sudeste, como Rio de Janeiro e São Paulo. Hoje, porém, o avanço das rotas internacionais do narcotráfico transformou estados amazônicos em áreas estratégicas para o crime organizado.
O Amapá, antes distante da chamada “guerra do tráfico”, passou a registrar nos últimos anos aumento de execuções, desaparecimentos, disputas por território e recrutamento de jovens por facções criminosas.
A localização geográfica do estado, com fronteiras próximas a rotas internacionais utilizadas para entrada e distribuição de drogas, colocou a região no radar das organizações criminosas que disputam controle logístico e financeiro na Amazônia.

Macapaba e zona sul voltam ao centro das investigações
O Conjunto Habitacional Macapaba, um dos maiores conjuntos habitacionais do estado, já foi alvo de diversas operações policiais relacionadas ao tráfico de drogas, homicídios e atuação de organizações criminosas.
Moradores relatam há anos medo constante provocado por confrontos armados, ameaças e disputas entre grupos rivais.
A atuação de lideranças criminosas localizadas fora do Amapá também reforça a tese das autoridades de que o estado deixou de enfrentar apenas criminalidade local e passou a integrar uma estrutura nacional de facções, com ordens sendo expedidas remotamente para execução de crimes em território amapaense.
Integração das forças de segurança
Os mandados da Operação Saldo Zero foram cumpridos por agentes da Ficco e do Gaeco. A Ficco reúne forças estaduais e federais no combate ao crime organizado, especialmente em investigações ligadas ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e facções criminosas.
As autoridades não descartam novas fases da operação, já que as investigações seguem em andamento para identificar outros integrantes da organização e aprofundar o rastreamento financeiro do grupo.








