Medida aumenta capacidade de carga no “Arco Lamoso”, fortalece segurança da navegação e impulsiona exportações pela região amazônica

A Marinha do Brasil concluiu a ampliação do calado operacional no chamado “Arco Lamoso”, trecho considerado estratégico na foz do Rio Amazonas, entre os estados do Pará e do Amapá. A medida aumenta a capacidade de navegação em uma das principais rotas hidroviárias do país e promete impactos diretos na logística, no comércio exterior e na economia da região Norte.

Com a atualização das condições de navegabilidade, embarcações de maior porte poderão trafegar pela área transportando mais carga, reduzindo limitações operacionais e aumentando a eficiência do escoamento de commodities produzidas especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste.
O novo limite de calado passou a ser de 11,85 metros para navios mercantes com cargas comuns e de 11,65 metros para navios-tanque e embarcações com cargas perigosas no período entre 1º de fevereiro e 15 de agosto. Nos demais meses do ano, os limites serão de 11,70 metros para navios mercantes e 11,50 metros para navios-tanque e cargas perigosas.
O “Arco Lamoso” é apontado como a área mais crítica e rasa da Barra Norte, na foz do Rio Amazonas, se estendendo por aproximadamente 45 quilômetros. A região sofre influência intensa da dinâmica sedimentar, das marés e das variações sazonais dos rios amazônicos.

Segundo o diretor do Centro de Hidrografia e Navegação do Norte (CHN-4), capitão de fragata Anselmo Vinicius de Souza, a navegação na área exige monitoramento constante devido às características naturais da região.
“Os principais desafios são inerentes à grande dinâmica hidrológica da região, influenciada pela interação entre diferentes massas d’água que confluem para a foz, além dos períodos de cheia e seca dos rios”, explicou.
Impacto econômico
A ampliação do calado fortalece o chamado Arco Norte, corredor logístico que vem ganhando protagonismo no escoamento da produção brasileira para o mercado internacional.
De acordo com dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), os portos da região Norte registraram, em 2025, o maior crescimento percentual do país, com alta de 10,4% e movimentação de 163,3 milhões de toneladas — acima da média nacional de 6,1%.
A Marinha destaca que o aumento do calado pode representar um ganho significativo de carga por embarcação. Em navios do tipo Panamax, por exemplo, o acréscimo pode chegar a cerca de 10 mil toneladas por viagem, gerando um ganho estimado em aproximadamente US$ 1 milhão em carga transportada por navio.
Segurança da navegação
Para garantir a ampliação segura do calado, a Marinha realizou levantamentos hidrográficos, análises da dinâmica sedimentar e atualizações cartográficas na Barra Norte. Ao todo, cerca de 110 quilômetros quadrados foram sondados na região.
As ações fazem parte das atividades permanentes da força naval voltadas à segurança da navegação nas águas brasileiras, especialmente na Amazônia, onde fatores naturais como correntes, marés e sedimentação exigem acompanhamento contínuo.








