Mulheres ganham espaço na PM e Amapá lidera participação feminina no país

Com 31% do efetivo formado por mulheres, Polícia Militar do Amapá tem participação feminina mais que o dobro da média nacional, de 13%; presença cresce também em funções operacionais e de comando

Durante muito tempo, atividades ligadas à segurança pública foram vistas como espaços predominantemente masculinos. Na Polícia Militar do Amapá, esse cenário vem mudando. Hoje, as mulheres representam 31% do efetivo da corporação, colocando o estado na liderança nacional em participação feminina nas polícias militares.

O percentual é mais que o dobro da média brasileira, que é de 13%, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O Amapá aparece à frente de estados como Roraima, com 21,6%, e Rio Grande do Sul, com 20,4%.

A presença feminina também avança em áreas que, por muitos anos, foram associadas exclusivamente aos homens, incluindo o patrulhamento ostensivo, atividades táticas e funções de comando.

Efetivo feminino do Amapá também está presente no patrulhamento ostensivo em áreas de alto risco

Um dos exemplos dessa transformação é a trajetória da major Flávia Tabosa, que ingressou na carreira policial em 2008 e, seis anos depois, decidiu encarar o treinamento de um curso operacional. A experiência contribuiu para sua atuação na criação do Batalhão de Força Tática do Amapá.

Para a oficial, a preparação profissional é o principal caminho para garantir um serviço de qualidade à população, independentemente de o policial ser homem ou mulher.

“O policial tem a obrigação de prestar o melhor serviço à sociedade e, sendo mulheres, não somos diferentes disso. Temos o dever de nos capacitarmos e especializarmos”, afirmou.

A major também já comandou os cursos de formação de Soldados e de Sargentos e foi subcomandante do 7º Batalhão, em Porto Grande.

De funções operacionais ao comando

A ocupação feminina dentro da PM não se limita às atividades administrativas. Policiais militares estão cada vez mais presentes em funções operacionais e em postos de liderança, mostrando que o desempenho na segurança pública não depende de gênero, mas de preparo, capacitação e competência para exercer a função.

Ten.-Cel. Sara Farias, comandante da Academia de Polícia Militar

Outro exemplo é a tenente-coronel Sara Farias, primeira mulher a comandar a Academia de Polícia Militar Coronel Cláudio Braga.

Segundo o comandante-geral da PM do Amapá, coronel Márcio Allan, a presença feminina representa mais do que um número nas estatísticas.

“As policiais militares ocupam funções operacionais, administrativas e postos de comando com excelência, trazendo um olhar estratégico e fundamental para a proteção da população amapaense”, destacou.

Amapá acima da média nacional

O levantamento mostra a distância entre o Amapá e outros estados brasileiros. Enquanto 31% do efetivo da PM amapaense é formado por mulheres, a média nacional é de 13%. Na outra ponta do ranking aparecem Ceará, com 6,9%, e Paraíba, com 7,9%.

A ampliação da participação feminina ocorre em um momento de renovação do quadro da segurança pública estadual. Desde 2023, cerca de 6 mil aprovados em concursos da área foram convocados pelo Governo do Estado e mais de 3 mil tomaram posse.

Amapá lidera participação feminina na Polícia Militar

O avanço na PM acompanha também a presença feminina em outras áreas da administração estadual. As mulheres representam aproximadamente 41% do quadro do Governo do Amapá, percentual que coloca o estado na quarta posição nacional e na liderança da Região Norte.

Mais do que uma mudança nas estatísticas, a presença crescente de mulheres na segurança pública mostra uma transformação no próprio perfil das instituições. Funções que antes eram consideradas “de homem” passaram a ser ocupadas por profissionais que demonstram, na prática, que preparo, capacidade técnica e compromisso com a sociedade não têm gênero.

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