Quem é Gleidson Alves : psicólogo, operador da “milícia digital” e peça importante na investigação da PF

Gleidson rompeu o silêncio e relatou à TV Amapá ter sido vítima de ameaças

Relatórios da Operação Palanque Digital indicam que Gleidson integrava uma rede formada para promover a imagem do então prefeito Antônio Furlan e atacar adversários

O nome de Gleidson Alves Barros ganhou protagonismo no Amapá após vir a público como um dos personagens centrais da investigação da Polícia Federal que apura a existência de uma suposta milícia digital ligada ao ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan. Apontado como operador da estrutura, Gleidson rompeu o silêncio e relatou à TV Amapá ter sido vítima de ameaças, violência psicológica e até de uma invasão armada em sua residência.

Psicólogo com registro profissional ativo no Conselho Regional de Psicologia (CRP PA/AP 10/6908), Gleidson atua em Macapá e mantinha atividades clínicas antes de seu nome surgir no centro da investigação federal. Informações públicas apontam que ele se formou em Psicologia na Faculdade Estácio de Macapá e atendia em clínica privada na capital.

Atuação na Milícia Digital

Mas, segundo a Polícia Federal, sua atuação ia além da área da saúde. Relatórios da Operação Palanque Digital indicam que Gleidson integrava uma rede formada por agentes públicos, influenciadores e produtores de conteúdo que atuariam para promover a imagem do então prefeito Antônio Furlan e atacar adversários políticos, utilizando recursos públicos.

A investigação aponta que a estrutura funcionava dentro da própria Prefeitura de Macapá, com repasses financeiros por meio de contratos publicitários que ultrapassariam R$ 25 milhões. Em áudios analisados pela PF, Gleidson aparece discutindo pagamentos por postagens e ações coordenadas de ataque digital.

Achou que ia morrer

O caso ganhou contornos ainda mais graves após o psicólogo afirmar, em entrevista, que passou a ser perseguido depois do avanço das investigações. Segundo ele, sua residência foi monitorada por dias e posteriormente invadida por um homem armado que buscava um celular com informações sobre o funcionamento da rede e possíveis provas que poderiam incriminar Furlan.

“Eu achei que naquele momento ia morrer”, disse Gleidson ao relatar que foi amarrado e ameaçado durante a ação.

A denúncia amplia a dimensão política e criminal do caso. Para investigadores, o episódio pode indicar tentativa de destruição de provas e obstrução das investigações.

Antecedentes

Ao mesmo tempo, o nome de Gleidson também passou a ser alvo de questionamentos públicos. Veículos locais divulgaram que ele possui antecedentes envolvendo uma prisão em flagrante em 2025 por furto qualificado em um prédio público municipal, caso que segue em tramitação judicial.

Mesmo com esse histórico, sua posição dentro da engrenagem investigada o transforma em peça estratégica para a Polícia Federal. É dele parte do material e dos relatos que sustentam a apuração sobre a suposta utilização de dinheiro público para alimentar uma máquina digital de propaganda e perseguição política no Amapá.

A defesa de Antônio Furlan nega qualquer envolvimento com a estrutura e afirma que nenhuma acusação foi comprovada até o momento. Entretanto, o avanço das investigações e os relatos de intimidação elevam a temperatura política no estado e podem ter desdobramentos diretos no cenário eleitoral de 2026.

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