As Mostras regionais e nacional são uma iniciativa do Conasems para fortalecer e melhorar a atuação do Sistema Único de Saúde (SUS)

Os autores de cinco projetos vencedores da 7ª Mostra Amapá, Aqui tem SUS, já estão em Porto Alegre, em preparação para a defesa dos trabalhos na 21ª Mostra Brasil, Aqui tem SUS, que será realizada durante o 34º Congresso do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), de 12 a 15 de julho. A seleção dos projetos das equipes dos municípios aconteceu em todos os estados brasileiros e Distrito Federal. No Amapá, o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems/AP) realizou a mostra no mês de abril.
As Mostras regionais e nacional são uma iniciativa do Conasems para fortalecer e melhorar a atuação do Sistema Único de Saúde (SUS) em todos os municípios, uma união de esforço técnico e humanitário das equipes de saúde, que desenvolvem experiências baseadas na realidade de cada território, que podem ser compartilhadas, possibilitando a efetivação de políticas públicas para que cheguem até a população.
Mostra Amapá, Aqui tem SUS
O Cosems/AP iniciou o processo seletivo no início do ano, com o apoio à cinco Mostras Municipais, e também ofereceu suporte às demais gestões que fizeram a seleção técnica interna. Em abril foi realizada a Mostra Amapá, Aqui tem SUS, com a disputa recorde entre 126 inscritos, dos quais, 26 foram para a etapa final, em que foram definidos, por critérios técnicos, os cinco projetos que disputarão na Mostra Nacional.
A disputa foi realizada por categoria, conforme o número de habitantes. Os primeiros lugares das categorias 1 e 2 receberam passagem e hospedagem para participar da Mostra Nacional em Porto Alegre, e os três primeiros lugares da categoria 3, também ganharam a mesma premiação.
Nas categorias 1 e 2, os vencedores se destacaram por apresentarem projetos que fortalecem a atuação das Equipes Multiprofissionais na Atenção Primária (eMulti) e da Estratégia Saúde da Família (ESF), voltados para a saúde bucal, pessoas com dificuldades de locomoção, e proteção da Primeira Infância, em comunidades tradicionais e de difícil acesso.

Driblando as marés para levar atendimento odontológico
Na categoria 1, o odontólogo Dionis Marques levou o troféu para Itaubal do Piririm, com o projeto “Amazônia que Cuida: equidade, promoção e prevenção odontológica de PCD na APS de Itaubal/AP”.
O dentista faz parte da ESF do Programa Estratégia de Saúde da Família, e atua na comunidade do Curicaca, região ribeirinha e com áreas rurais e assentamentos. Há dois anos, quando iniciou a carreira, se deparou com uma realidade que dificultava o acesso às comunidades, que são os horários das marés, que faziam com que as equipes ficassem embarcadas durante horas nos rios, atrasando o atendimento.
Foi da necessidade de levar serviço especial para pacientes crianças e idosos, que surgiu a ideia do projeto, que leva prevenção, promoção e cuidados relacionados à assistência odontológica. O “Amazônia que Cuida” é dividido em mapeamento, consulta e monitoramento. Os pacientes são identificados, a exemplo de autistas, diabéticos, acamados, entre outros. Com o auxílio de um consultório portátil, um gerador de energia e uma lancha tipo voadeira, os profissionais conseguem entrar em rios estreitos e chegam até os pacientes.
Protegendo a 1ª Infância em quilombos, assentamentos e áreas ribeirinhas
No município de Tartarugalzinho, o projeto “Língua Livre: vida saudável e cuidado neonatal para ribeirinhos, quilombolas e assentados” venceu na Categoria 2. O autor, o também dentista da ESF, do Programa Estratégia de Saúde da Família, Orles Braga Júnior fez a diferença. Sua experiência em comunidades ribeirinhas, como Aporema, foram os pilares do projeto, e faz parte de sua tese de Mestrado Profissional em Saúde da Família.
Ele identificou que muitas crianças ribeirinhas e remanescente de quilombos recém-nascidas não faziam o teste da linguinha, que diagnostica a chamada língua presa, e pode impactar no desmame e introdução alimentar precoce. Orles criou o projeto com foco na qualificação, padronização de avaliação clínica, organização do fluxo para encaminhamento dos casos identificados, e acesso ao diagnóstico precoce a fim de fortalecer o aleitamento materno nas comunidades.
Os objetivos foram cumpridos, o que deu ao projeto as condições para ser campeão. Para melhor execução, a Secretaria Municipal de Saúde realizou ações itinerantes para que as equipes chegassem até as comunidades distantes. De 50 crianças nascidas no Aporema entre 2023/2025, 27 não fizeram o teste da linguinha, destas, 15 precisaram fazer a frenectomia. O projeto favoreceu o aleitamento materno e melhorou a intersetorialidade entre os diferentes pontos da rede de atenção, organizando um fluxo municipal para este atendimento.
Saúde Brasil 360 na palma da mão

O 1º lugar da Categoria 3, projeto “Manual de Bolso Brasil 360: Inovação Mobile para e-SUS/APS” de autoria de Josué Pereira, Gestor da Tecnologia da Informação em Porto Grande, foi inspirado na rotina dos profissionais da APS, e na utilização eficiente do programa e-SUS APS.
Para vencer as maiores dificuldades, que era a localização e registro de doenças, tratamentos, exames e procedimentos, e o uso de diferentes manuais e protocolos, que tornavam o processo mais demorado e com risco de inconsistência, Josué teve a ideia de desenvolver uma ferramenta prática e de consulta rápida, capaz de reunir informações essenciais em um único ambiente, facilitando a tomada de decisão, reduzindo erros nos registros e contribuindo para uma assistência mais ágil, segura e eficiente no e-SUS APS.
“Espero que a iniciativa inspire outros municípios a adotarem soluções tecnológicas que fortaleçam a qualidade dos registros, reduzam erros de codificação e contribuam para uma assistência mais eficiente, segura e resolutiva no SUS”, disse o enfermeiro.
Fluxo integrado, menos sobrecarga e mais agilidade
Na Policlínica Maria Tadeu Aguiar, município de Santana, o fluxo integrado era mais um desafio diário para os ACS, que, para dar andamento aos atendimentos e organizar a regulação, enfrentavam a precariedade no acesso aos pacientes e a busca desnecessária pelo Hospital de Santana, que sofre com a sobrecarga.
Estas dificuldades foram decisivas para que a enfermeira Marilza Monte, coordenadora de Média Complexidade, o secretário-adjunto de saúde Adriano MJaués, e Huelton Carvalho, coordenador de Atenção Básica, criassem uma estratégia para fazer a regulação entre a média complexidade e APS, e nasceu o projeto “GPS do Cuidado: resolutividade e contrarreferência ativa no território em Santana”.
Os pacientes entram no fluxo do SUS pelas mãos dos agentes, pelas UBS, são identificados, assim como suas necessidades, e direcionados para os serviços adequados, evitando a sobrecarga no Hospital e garantindo a contrarreferência.
Atravessando pontes para levar sorrisos
Em Laranjal do Jari, pacientes deixavam de ter assistência odontológica devido dificuldade de locomoção. Pontes quebradas e acamados, eram as principais causas para que pessoas com dificuldade de locomoção, não chegassem até a UBS. Foi então que o cirurgião dentista Guilherme Ribeiro, a técnica em saúde bucal Magda Costa e diretora da UBS Adinilda de Jesus, Tassia Paixão, tomaram iniciativas para aumentar as possibilidades de atendimento odontológico para estas pessoas.
O 3º lugar na Mostra, projeto “Entre Pontes e Palafitas: atravessando caminhos para levar sorrisos” foi planejado com a sensibilidade destes profissionais, que olharam pelos cadeirantes, acamados, obesos, idosos e com outras cormobidades, e inverteram o processo: em vez do paciente ir até a UBS, as equipes de saúde bucal que ia até eles.
Os sorrisos, a dignidade e autoestima foram devolvidos com o uso de uma maleta odontológica levada pelas equipes, que atravessaram os desafios e chegaram nas casas dos pacientes.
São estes os projetos que o COSEMS/AP está levando para a 21ª Mostra Brasil, Aqui tem SUS, onde experimentos de todo Brasil são apresentados e disputam as premiações. A presidente Lílian Abreu está à frente da delegação formada por gestores e técnicos, que participam do Congresso Nacional do Conasems.
Fonte: Assessoria de Comunicação








