Produto símbolo da Amazônia integra a lista de exceções da nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros

Os produtores e exportadores de açaí do Amapá receberam uma notícia positiva em meio ao endurecimento da política comercial dos Estados Unidos contra o Brasil. O governo norte-americano decidiu excluir o açaí da lista de produtos atingidos pela nova tarifa adicional de 25% sobre importações brasileiras, preservando a competitividade da fruta amazônica no mercado americano.
A medida foi oficializada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que concluiu uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Embora a nova tarifa passe a valer a partir de 22 de julho para a maior parte dos produtos brasileiros, diversos itens considerados estratégicos ficaram de fora da sobretaxa. Entre eles estão café, carne bovina, mel orgânico, frutas tropicais, água de coco, sucos cítricos e, de forma expressa, o açaí e preparações destinadas à fabricação de bebidas.
Para o Amapá, a decisão tem importância especial. O estado figura entre os maiores produtores nacionais de açaí e tem no mercado externo uma importante fonte de geração de renda, especialmente para produtores rurais, comunidades ribeirinhas, cooperativas e empresas do setor de processamento da fruta.

A manutenção do produto fora do tarifaço evita retração nas exportações destinadas aos consumidores norte-americanos, onde a demanda pelo açaí cresce impulsionada pelo consumo de alimentos considerados saudáveis e funcionais.
Segundo a análise divulgada pelo AgFeed, a exclusão do açaí da lista de produtos tarifados decorre da avaliação de que determinados produtos poderiam causar impactos econômicos relevantes ao mercado americano ou não possuem oferta suficiente de fornecedores alternativos, justificando a concessão das exceções.
Apesar do alívio para a cadeia produtiva do açaí, a nova política comercial dos Estados Unidos representa uma das maiores retaliações já impostas ao Brasil. A tarifa adicional de 25% atingirá diversos segmentos da economia brasileira, resultado de uma investigação que apontou supostas práticas comerciais consideradas inadequadas pelo governo americano, envolvendo temas como comércio digital, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal.
Para os produtores amapaenses, no entanto, a permanência do açaí entre os produtos isentos representa um importante sinal de estabilidade em um momento de incertezas no comércio internacional, preservando as oportunidades de expansão das exportações e fortalecendo uma das cadeias produtivas mais importantes da economia amazônica.








