Jornalista, radialista, cantor e narrador esportivo, Humberto construiu uma trajetória de quase seis décadas dedicadas à comunicação. Sua história virou enredo da escola de samba Piratas da Batucada e suas transmissões esportivas ultrapassaram fronteiras, chegando até o Japão.

A comunicação amapaense perdeu neste domingo um de seus maiores representantes. Morreu o jornalista, radialista, cantor e narrador esportivo Humberto Moreira, profissional que dedicou praticamente toda a sua vida ao rádio, ao jornalismo e à cultura do estado, tornando-se uma referência para várias gerações de comunicadores.
A notícia provocou forte comoção entre colegas de profissão, autoridades, artistas e ouvintes que acompanharam sua trajetória ao longo de décadas.
Em nota de pesar, a Rádio Difusora de Macapá (RDM) destacou que Humberto iniciou sua carreira na emissora em 1967 e que sua história se confunde com a própria história da comunicação no Amapá. A emissora ressaltou ainda que seu legado permanecerá vivo na memória dos amapaenses e manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de profissão.
Uma vida dedicada à comunicação
Humberto Moreira iniciou sua carreira quando o rádio ainda era o principal veículo de informação do estado. Ao longo dos anos, passou por emissoras de rádio, televisão, jornais impressos e, mais recentemente, também atuou em portais de notícias, retornando posteriormente à Rádio Difusora de Macapá.
Sua atuação sempre foi marcada pela autenticidade, coragem, responsabilidade e credibilidade, características que lhe renderam respeito dentro e fora das redações.
Para muitos profissionais da imprensa amapaense, Humberto foi mais do que um colega de trabalho: foi um mestre, conselheiro e inspiração para novos jornalistas e radialistas.
A voz do esporte que atravessou o mundo
No jornalismo esportivo, Humberto Moreira escreveu uma das páginas mais importantes da história do rádio amapaense.
Como narrador, levou aos ouvintes a emoção de inúmeras partidas de futebol, realizando transmissões em diferentes estados brasileiros e também no exterior. Entre as coberturas que marcaram sua carreira estão transmissões realizadas até mesmo no Japão, demonstrando o reconhecimento profissional conquistado ao longo dos anos.
Seu estilo vibrante, aliado ao profundo conhecimento do esporte, fez dele uma das vozes mais identificadas pelos apaixonados por futebol no Amapá.
Artista dentro e fora dos estúdios
A comunicação nunca foi sua única paixão.
Durante quase 58 anos, Humberto conciliou o jornalismo com a música, destacando-se como cantor da geração dos grandes “crooners” e integrante da banda Os Cometas, considerada um dos grupos mais tradicionais da música amapaense.

Também era conhecido pelo amor ao Botafogo, pela participação ativa na vida cultural do estado e pela ligação histórica com a escola de samba Piratas da Batucada.
Vida transformada em enredo
O reconhecimento à importância de Humberto Moreira extrapolou o jornalismo.
Sua trajetória de vida foi levada para a avenida pela tradicional escola de samba Piratas da Batucada, uma das maiores homenagens que um personagem da cultura amapaense pode receber. O desfile eternizou sua contribuição para a comunicação, para a música e para a identidade cultural do estado.
A homenagem simbolizou o carinho e o respeito conquistados por um profissional que ajudou a contar a história do Amapá e, ao mesmo tempo, passou a fazer parte dela.
Um legado que permanecerá
Com a partida de Humberto Moreira, o Amapá perde uma voz inconfundível, um comunicador completo e um personagem fundamental da história da imprensa estadual.
Seu legado permanece nas milhares de reportagens, transmissões esportivas, programas de rádio, apresentações musicais e, principalmente, na formação de inúmeros profissionais que encontraram nele um exemplo de ética, dedicação e amor à comunicação.
Neste momento de despedida, o jornalismo amapaense, o rádio, a cultura e toda a imprensa do estado estão de luto. Humberto Moreira deixa uma lacuna difícil de ser preenchida, mas também um patrimônio imaterial que continuará inspirando futuras gerações de comunicadores e permanecerá para sempre na memória dos amapaenses.
Em nota o vice-governaador Teles Júnior lamentou a morte do jornalista.









