Empresa deixa contratos de alimentação hospitalar no Amapá e usuários do SUS celebram

Primo José anunciou que não é mais responsável pelo fornecimento de refeições em seis unidades da rede estadual; Nas redes sociais usuários da rede hospitalar celebraram a saída

A informação da saída foi divulgada pela própria empresa em nota pública datada de 6 de setembro de 2026

A Primo José Alimentação Coletiva, empresa condenada pela Justiça Federal por participação em um esquema de fraude em contratos da Secretaria de Estado da Saúde do Amapá (Sesa), deixou de prestar serviços de alimentação hospitalar para unidades da rede pública estadual.

A informação foi divulgada pela própria empresa em nota pública datada de 6 de setembro de 2026. Segundo o comunicado, a substituição foi determinada pela Sesa, que formalizou novos contratos com outras empresas para assumir o fornecimento de alimentação nas unidades.

A saída da empresa foi celebrada por usuários da rede pública de saúde do estado. Nas redes sociais a empresa foi criticada pela qualidade da alimentação oferecida.

“Já foi tarde, só serviam frango e picadinho”, acusa uma internauta .

“A comida deles era uma p..” aponta outro.

A mudança ocorre meses depois de vir a público a condenação da Primo José e de seu proprietário, Joelson Pimentel dos Santos, em processo relacionado à Operação Banquete, que investigou um esquema milionário envolvendo contratos de alimentação hospitalar da Saúde estadual entre 2017 e 2018.

Empresa deixa seis unidades da Saúde

Na nota, a Primo José informa que não é mais responsável pelos serviços de alimentação hospitalar no Hospital da Mulher Mãe Luzia (HMML), Hospital de Clínicas Dr. Alberto Lima (HCAL), Hospital Estadual de Santana (HES), Hospital Estadual de Oiapoque (HEO), CAPS Gentileza e CAPS Santana.

“A substituição das empresas responsáveis pela execução desses serviços foi determinada pela Secretaria de Estado da Saúde do Amapá”, afirma o comunicado.

A empresa acrescenta que, a partir da transferência dos serviços, não possui mais responsabilidade pela produção, fornecimento, qualidade, quantidade, regularidade ou eventuais faltas das refeições servidas nessas unidades. Segundo a nota, essas obrigações passaram para as empresas atualmente responsáveis pelos contratos.

O comunicado não informa os motivos pelos quais a Sesa decidiu substituir a Primo José, nem apresenta valores ou prazos dos novos contratos.

Condenação por fraude em contratos da própria Sesa

A saída ganha relevância pelo histórico da empresa com contratos de alimentação da própria Secretaria de Saúde.

Em novembro de 2025, o ConectAmapá revelou que a Justiça Federal havia condenado a Primo José Alimentação Coletiva – ME e Joelson Pimentel dos Santos por participação direta em esquema de fraude à licitação investigado na Operação Banquete.

A sentença estava relacionada a contratos de alimentação hospitalar celebrados entre 2017 e 2018. A investigação apontou prejuízo global superior a R$ 28 milhões aos cofres públicos, considerando o esquema apurado.

De acordo com a decisão judicial a Primo José participou da fraude desde a fase de formação dos preços da licitação. A sentença apontou vínculos entre empresas utilizadas nas cotações e elementos que indicariam a confecção conjunta das propostas.

Na etapa seguinte do certame, a Justiça concluiu que Primo José e outra empresa envolvida teriam realizado uma divisão prévia dos lotes, reduzindo a concorrência efetiva. A Controladoria-Geral da União também identificou sobrepreço nos lotes adjudicados à Primo José.

Justiça apontou proprietário como beneficiário do esquema

Joelson Pimentel foi considerado na decisão judicial beneficiário direto do esquema. Conforme a reportagem publicada pelo ConectAmapá, a sentença apontou que ele controlava a Primo José, beneficiou-se da montagem fraudulenta da pesquisa de preços e participou da divisão dos lotes.

À época dos fatos investigados, Joelson era cunhado do então presidente da Assembleia Legislativa do Amapá, Kaká Barbosa. A própria reportagem ressalvou que a sentença não atribuiu ao parlamentar participação no esquema investigado.

Apesar do histórico judicial, a nota divulgada pela Primo José não afirma que a perda dos contratos tenha sido consequência da condenação na Operação Banquete.

O documento limita-se a informar que a substituição foi determinada pela Secretaria de Saúde e que novos contratos foram formalizados com outras empresas.

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