Expedição realiza estudo em árvores gigantes e centenárias em floresta preservada no sul do Amapá

Projeto percorre região do Rio Iratapuru para documentar exemplares raros da Amazônia e alertar para a necessidade de preservação das últimas florestas primárias do planeta

Uma expedição científica e documental iniciada nesta semana no sul do Amapá está revelando ao Brasil um dos mais impressionantes patrimônios naturais da Amazônia: populações de árvores gigantes e centenárias preservadas em áreas de floresta primária na região do Rio Iratapuru, em Laranjal do Jari.

O trabalho integra a produção do livro “Árvores Gigantes da Amazônia”, que busca registrar exemplares de grande porte e elevado valor ecológico ainda existentes na maior floresta tropical do planeta.

Logo nos primeiros dias da expedição, os pesquisadores Ricardo Cardim que é botânico e paisagista e Cassio Vasconcelos, fotógrafo e artista visual, encontraram extensas populações de angelim-vermelho, espécie que abriga a árvore mais alta já registrada no Brasil, com cerca de 88 metros de altura, descoberta por cientistas nos últimos anos na Amazônia.

Segundo os integrantes da equipe publicadas em redes sociais, alguns exemplares encontrados no Amapá possuem mais de 12 metros de circunferência de tronco, evidenciando séculos de desenvolvimento em uma floresta que nunca sofreu exploração madeireira significativa.

Floresta preservada abriga árvores seculares

Além dos angelins-vermelhos, a equipe percorreu áreas de mata intocada onde encontrou uma grande população de castanheiras centenárias, com copas repletas de orquídeas, filodendros e outras espécies que dependem das árvores gigantes para sobreviver.

Para os pesquisadores a paisagem observada no sul do Amapá ajuda a compreender como eram as grandes florestas brasileiras antes da ocupação humana em larga escala.

A comparação mais frequente feita pelos integrantes da expedição é com a Mata Atlântica, que já cobriu extensas áreas do país e hoje possui poucas árvores gigantes remanescentes em razão do desmatamento acumulado ao longo dos séculos.

Patrimônio natural ameaçado

Ainda nas redes sociais os organizadores alertam que a preservação dessas árvores é uma questão urgente. Diferentemente de espécies de crescimento rápido, exemplares centenários ou multisseculares levam centenas de anos para atingir as dimensões observadas atualmente.

Por isso, a perda dessas árvores representa um dano praticamente irreversível em escala humana.

Fatores como a exploração ilegal de madeira, o avanço das atividades econômicas sobre áreas florestais e a pressão global por commodities aumentam os riscos para esses ecossistemas.

Comunidade do Iratapuru apoia pesquisa

A expedição destacou o apoio recebido da comunidade do Rio Iratapuru, cuja participação tem sido fundamental para o acesso às áreas de floresta preservada e para a identificação de exemplares gigantes conhecidos pelos moradores da região.

O projeto prevê novas incursões em diferentes áreas da Amazônia para ampliar o mapeamento e a documentação das árvores gigantes ainda existentes.

Os pesquisadores também buscam informações, parcerias institucionais, apoio logístico e patrocínios para dar continuidade ao trabalho.

Amapá se consolida como refúgio da floresta amazônica

A descoberta e documentação dessas árvores reforçam o papel do Amapá como um dos estados com maior área de floresta preservada do Brasil. Com extensas unidades de conservação e territórios protegidos, o estado abriga alguns dos ecossistemas mais conservados da Amazônia e se tornou um importante laboratório natural para pesquisas científicas voltadas à biodiversidade e às mudanças climáticas.

A expedição ao Rio Iratapuru mostra que, em meio às crescentes pressões sobre a floresta, ainda existem regiões onde árvores que começaram a crescer há séculos permanecem de pé, testemunhando a história da Amazônia e a importância de sua preservação para as futuras gerações.

O trabalho da expedição vem sendo publicado no Instagram no endereço https://www.instagram.com/reel/DbeMyuCyUOo/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==

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