Levantamento baseado na Pnad Contínua mostra recuperação dos rendimentos ao longo da série histórica

A renda dos trabalhadores do Amapá acompanha o movimento de recuperação registrado no mercado de trabalho brasileiro nos últimos anos. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), mostram que os rendimentos avançaram em grande parte do país desde o início da série histórica, em 2012.
O levantamento considera o rendimento médio mensal real habitualmente recebido em todos os trabalhos, ou seja, os valores são corrigidos pela inflação, permitindo comparar o poder de compra dos trabalhadores ao longo dos anos.
No Amapá, os dados recentes mostram uma trajetória de crescimento. No quarto trimestre de 2022, o rendimento médio real era de R$ 2.805. Passou para R$ 2.970 no quarto trimestre de 2023 e ficou em R$ 2.975 no mesmo período de 2024. No terceiro trimestre de 2025 chegou a R$ 3.070.
A recuperação continuou no início deste ano. No segundo trimestre de 2026, o rendimento médio real habitual de todos os trabalhos no Amapá foi estimado em R$ 3.134. A Variação da renda média mensal do trabalho nos estados foi de 14.0% na comparação dos ultimos 12 meses
Desigualdade regional permanece
A reportagem da Folha mostra que, apesar da recuperação observada desde 2012, continuam existindo diferenças expressivas de renda entre os estados brasileiros.
No segundo trimestre de 2026, o rendimento médio mensal variou de R$ 2.284 no Maranhão a R$ 6.171 no Distrito Federal. Em São Paulo, segunda maior média do país, o rendimento chegou a R$ 4.447.
Na média nacional, o trabalhador recebeu R$ 3.738 mensais entre abril e junho deste ano. O valor ficou 1,5% abaixo do recorde da série, de R$ 3.795, registrado no trimestre anterior.
A diferença entre as regiões está relacionada, entre outros fatores, à estrutura dos mercados de trabalho. Segundo especialistas ouvidos pela Folha, Norte e Nordeste apresentam maior informalidade e menor dinamismo econômico histórico, fatores que contribuem para manter os rendimentos abaixo daqueles registrados nas regiões mais industrializadas.
Amapá tem alta participação de trabalhadores por conta própria
Outro indicador ajuda a compreender as características do mercado de trabalho amapaense. No segundo trimestre de 2026, 31% dos trabalhadores ocupados no Amapá trabalhavam por conta própria.
O percentual é um dos maiores do país. O Maranhão liderou, com 33,8%, seguido pelo Amapá, com 31%, e pelo Pará, com 30,3%. A média brasileira ficou em 25,3%.
Os números revelam que, apesar do crescimento da renda observado nos últimos anos, parcela significativa da população ocupada do estado permanece fora das relações tradicionais de emprego.
Recuperação ocorre em todo o país
A recuperação da renda não é exclusiva do Amapá. A análise da série histórica iniciada em 2012 mostra crescimento do rendimento em praticamente todas as unidades da Federação.
A exceção é o Amazonas. No segundo trimestre de 2026, a renda média amazonense, de R$ 2.771, ainda estava 4,9% abaixo do valor registrado no primeiro trimestre de 2012, considerando valores corrigidos pela inflação.
As maiores altas proporcionais desde o início da série foram registradas na Paraíba, com 40,7%, Rondônia, com 38,2%, e Piauí, com 33,6%.
Os números mostram que o Amapá também participa do movimento nacional de recuperação dos rendimentos.








