Petróleo do Amapá enfrenta incertezas sobre papel da Petrobras em eventual governo Flávio

Defesa de maior participação privada e expectativa de retomada da venda de ativos levantam dúvidas sobre os rumos da nova fronteira petrolífera; não há anúncio de transferência do bloco amapaense

Para o Amapá, a questão envolve uma atividade ainda em avaliação, cercada de expectativas de desenvolvimento econômico

O futuro da exploração de petróleo na costa do Amapá entra na discussão sobre os rumos da Petrobras em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL).

Diferentemente de Lula, que teve papel central na descoberta de petróleo na costa do Amapá e se empenhou pessoalmente para que as pesquisas acontecessem, o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro nada falou sobre o tema. Sua equipe de campanha, porém, deu declarações preocupantes

Às vésperas da eleição presidencial, declarações de um assessor da campanha e expectativas de retomada da venda de ativos abrem dúvidas sobre o espaço que a estatal ocuparia no setor e sobre a continuidade de sua estratégia de investimentos.

Para o Amapá, a questão envolve uma atividade ainda em avaliação, cercada de expectativas de desenvolvimento econômico. A Petrobras anunciou descobertas no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, mas os estudos continuam.

Assessor defende abertura ao capital privado

Em entrevista à Bloomberg, publicada em 22 de outubro, o advogado Alexandre Chequer, que assessora a campanha de Flávio na área de energia, defendeu maior participação privada em segmentos dominados pela Petrobras e autonomia da direção para decidir onde investir e quais ativos comprar ou vender.

Na mesma entrevista, Chequer descartou a privatização da companhia: “O que foi discutido da Petrobras é que ela não será privatizada. Ponto”. Também afirmou que uma eventual retomada do programa de venda de ativos ainda não estava definida.

A posição não esclarece, porém, qual seria a orientação específica para o bloco na costa amapaense.

Com isso a tão esperada atividade petrolífera no Amapá pode estar comprometida antes mesmo de começar. A submissão de Flávio e seus aliados ao governo americano pode colocar em risco a possível maior descobertas de petróleo no Brasil.

O interesse americano pelas reversas mundiais de petróleo é fato. Na Venezuela, a ligação entre a intervenção americana e interesse petrolífero está documentada. Após a captura de Nicolás Maduro por forças dos EUA em janeiro o governo americano passou controlar receitas e ampliar o acesso ao petróleo venezuelano. Em agosto, Trump anunciou um acordo que, segundo ele, daria controle majoritário sobre parte das reservas.

A submissão de Flávio e seus aliados ao governo americano pode colocar em risco a possível maior descobertas de petróleo no Brasil

Venda de ativos volta ao debate

Reportagem do UOL, publicada em 23 de outubro, aponta que fontes próximas à campanha e ex-dirigentes da Petrobras esperam a retomada da venda de refinarias e campos maduros, seguindo diretrizes adotadas durante o governo Jair Bolsonaro.

Petrobras concentra participação no bloco

A Petrobras informa que opera o FZA-M-59 e detém 100% de participação na área. Em outubro, a companhia anunciou a identificação de outro intervalo com petróleo no poço Morpho, dando continuidade à descoberta divulgada em agosto.

Atualmente, a empresa apresenta o projeto como parte de sua estratégia de longo prazo para recompor reservas. Durante o governo Lula, a pesquisa também recebeu respaldo político: em agosto, o presidente visitou a sonda responsável pela perfuração, acompanhado da direção da estatal.

Uma mudança de orientação empresarial poderia alterar prioridades, ritmo de investimentos e composição de parceiros. Esse é um cenário possível.

Participação estrangeira exige procedimentos

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), direitos de exploração e produção podem ser transferidos total ou parcialmente entre empresas. A operação depende de autorização regulatória e do cumprimento de requisitos técnicos, econômicos e jurídicos.

Para o estado, permanecem questões concretas: a Petrobras manteria sua participação integral? Quais investimentos seriam preservados? Que compromissos garantiriam oportunidades para trabalhadores e fornecedores locais?

A incerteza está na ausência de uma orientação específica para o projeto do Amapá. As sinalizações de abertura privada justificam o acompanhamento dos próximos passos.

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