MPT emite recomendação contra a Você Telecom por denúncias de assédio moral

Depois de instaurar um inquérito civil, o Ministério Público do Trabalho pede o fim de práticas abusivas e de pressão psicológica no ambiente de trabalho

O Ministério Público do Trabalho (MPT) emitiu uma recomendação formal à empresa operadora de internet Você Telecomunicações, após a instauração de um inquérito civil que apura denúncias de assédio moral, pressão psicológica e ameaças de demissão na companhia. 

O ConectAmapa tenta contato com a Você Telecom. O espaço está aberto para manifestação

Segundo o procurador do trabalho Hugo Anciães da Cunha, que assina a recomendação, a medida busca garantir um ambiente de trabalho seguro e livre de violência para os colaboradores.

O documento declara que a empresa deve abster-se de submeter ou tolerar qualquer prática abusiva por parte de gestores, chefes ou funcionários. 

O texto destaca que condutas como gritos, xingamentos, vigilância constante, exigência de metas abusivas e estímulo tóxico à competição entre equipes são estritamente proibidas e configuram violação aos direitos humanos.

Outras exigências do MPT

  • A empresa deve realizar treinamentos e ações de sensibilização sobre diversidade, igualdade e combate ao assédio para funcionários de todos os níveis hierárquicos, pelo menos a cada doze meses.
  • Divulgação obrigatória: A recomendação deve ser fixada em murais de fácil visualização e enviada por canais digitais (como e-mail ou aplicativos de mensagens) a todos os trabalhadores diretos e indiretos.

A Você Telecom tem o prazo de 15 dias para comprovar ao MPT que divulgou o teor da recomendação aos seus empregados. A aplicação das medidas será fiscalizada.

Inquérito civil

O inquérito que deu origem a recomendação foi instaurado em 27 de agosto de 2026, depois que o MPT teria recebido informações sobre a ocorrência de práticas de assédio na empresa. 

“O conteúdo das peças informativas existentes nos autos, que noticiam a ocorrência de supostas irregularidades trabalhistas consistentes em práticas de assédio e coação por parte de superiores hierárquicos, exigência de labor além da jornada contratual, alegadas inconsistências no sistema de banco de horas e ameaças de dispensa em razão do não atingimento de metas”, diz trecho do inquérito. 

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