
Estudo apresentado no pavilhão do Banco da Amazônia, na COP30, em Belém, mapeou as dificuldades enfrentadas pelos extrativistas na região amazônica , onde apenas 13% dos valores disponibilizados exclusivamente à bioeconomia, por exemplo, são destinados às populações que vivem na região.
___________________
Entre os entraves, relatados pelos extrativistas, estão os obstáculos burocráticos, a falta de assistência técnica, os critérios de aprovação de projetos e os desafios logísticos e estruturais da região.
___________________
Em Laranjal do Jari, no Amapá, o presidente da Cooperativa Mista dos Produtores e Extrativistas do Rio Iratapuru (Comaru), Ademir Pereira, afirma que os atuais 38 produtores cooperados trabalham com a cadeia da castanha e breu branco, desde 2003, com receita anual entre R$ 2 a R$ 3 milhões.

Cunha enfatiza a extrema dificuldade burocrática que as cooperativas enfrentam para acessar fundos de apoio como o Fundo Amazônia, e defende que as agências financiadoras viajem aos locais da Amazônia, para entender as reais necessidades dos extrativistas.
Cunha conta que, antes de estruturar a cadeia produtiva na cooperativa, cada um vendia seus produtos em troca de alimentos a preços definidos pelos comerciantes, geralmente muito baixos. Ele garante que os financiamentos são importantes para resolver esse tipo de problema.
“Hoje conseguimos vender com melhor preço e melhorar as condições dos produtos que chegam à nossa agroindústria. Isso vem favorecendo cada vez mais o crescimento da nossa comunidade”, relatou.

Depois de muitas dificuldades, o dirigente conta que conseguiu acessar financiamentos por meio da Natura e do Fundo Brasileiro da Biodiversidade (Funbio), um mecanismo sem fins lucrativos, que destinou R$ 400 mil para a reforma da agroindústria da Comaru, que produz em torno de 35 toneladas de óleo de castanha por ano.
Para Cunha, a maior dificuldade enfrentada pelos extrativistas, atualmente, é a falta de uma instituição que sinalize crédito exclusivo para organizações como a dele ou para os moradores diretamente afetados, que nos discursos oficiais são chamados de guardiões da floresta.
“Para sermos guardiões também precisamos de apoio financeiro para melhorar as condições de vida da comunidade. Falta mais apoio do governo. Existe muita burocracia e exigências de regularização, como o título da terra. Para uma cooperativa acessar R$ 1 ou R$ 2 milhões, por exemplo, é muito burocrático. É preciso reduzir essa burocracia para que os projetos cheguem às comunidades”, reiterou.
“Para sermos guardiões também precisamos de apoio financeiro para melhorar as condições de vida da comunidade. Falta mais apoio do governo. Existe muita burocracia e exigências de regularização, como o título da terra. Para uma cooperativa acessar R$ 1 ou R$ 2 milhões, por exemplo, é muito burocrático. É preciso reduzir essa burocracia para que os projetos cheguem às comunidades”
Pesa ainda o fato da desconfiança, porque os extrativistas se queixam de que os mecanismos de financiamento precisam sempre que algum intermediário chancele seus projetos para viabilizar a aprovação e não se dispõem a visitar os locais para saber como eles operam o trabalho.
Aldemir Cunha apela para que os operadores dos programas de financiamento conheçam melhor a realidade dos projetos dos extrativistas para ampliar a proteção das florestas e, assim, poder viabilizar os recursos necessários.
“Vá até a minha comunidade conhecer nossa realidade e tente sistematizar formas mais acessíveis nos editais para cooperativas e associações, reduzindo burocracias. Quem vive o dia a dia sabe a dinâmica da produção e das necessidades da comunidade”, disse.
(Fonte:Revista Cenarium)








