Aliados de Furlan apostam em narrativa de “perseguição política” e ignoram investigações da PF

Mesmo diante de indícios detalhados apontados pela Polícia Federal, Justiça e PGR, grupo político do ex-prefeito evita enfrentar acusações e reforça discurso já recorrente em casos de corrupção

Clínica do ex-prefeito Furlan, alvo da Polícia Federal em uma das fazes da operação Paroxismo

Em meio ao avanço das investigações da Operação Paroxismo, apoiadores e aliados do ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan, têm adotado uma estratégia já conhecida no cenário político brasileiro: a de classificar as denúncias como “perseguição política”, evitando confrontar diretamente o conteúdo das acusações.

A narrativa tem sido repetida por integrantes do grupo político ligado ao ex-prefeito, mesmo diante de um conjunto robusto de elementos reunidos pela Polícia Federal, com validação de medidas pela Justiça e manifestações favoráveis da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Investigações detalham suposto esquema milionário

As apurações conduzidas pela Polícia Federal revelam um suposto esquema estruturado dentro da Prefeitura de Macapá para desvio de recursos públicos, especialmente ligados à obra do Hospital Geral de Macapá.

Entre os elementos reunidos pelos investigadores estão registros de saques em dinheiro realizados por empreiteiros, monitoramento do trajeto desses valores em espécie, identificação de fluxos financeiros considerados atípicos e depósitos suspeitos em contas de empresas ligadas ao núcleo político da gestão.

Parte desses recursos, segundo as investigações, teria como destino empresas vinculadas ao próprio ex-prefeito e à ex-primeira-dama e pré-candidata ao Senado, Rayssa Furlan.

A Polícia Federal encontrou na residência de um motorista do ex-prefeito de Macapá anotações que indicam depósitos fracionados somando R$ 3 milhões em contas a ele vinculadas. Investigadores acreditam que o dinheiro abasteceu contas de pessoas jurídicas controladas pelo ex-prefeito em um esquema de propinas montado a partir do desvio de recursos de quatro emendas parlamentares (R$ 128,9 milhões ao todo) e fraude à licitação para construção do Hospital Geral Municipal, obra orçada em R$ 69,3 milhões.

De acordo com a apuração, câmeras de segurança mostram que, em 23 de maio de 2025, o empresário Rodrigo de Queiroz Moreira, sócio da Santa Rita, sacou R$ 400 mil em espécie e, minutos depois, seguiu para um laboratório pertencente ao ex-senador Paulo José de Brito Silva Albuquerque, suplente do senador Lucas Barreto (PSD).

Para a PF, o esquema “pode indicar a entrega de valores”

Em 18 de junho de 2024, a PF monitorou novos saques em espécie: R$ 130 mil atribuídos a Rodrigo de Queiroz Moreira e R$ 260 mil a Fabrizio de Almeida Gonçalves, também sócio da empresa. Um deles, segundo os investigadores, utilizava um veículo ligado ao prefeito. A PF também identificou Jerqueson da Costa Rodrigues, funcionário da residência de Dr. Furlan, realizando saques bancários.

Discurso político substitui enfrentamento das acusações

Apesar da gravidade das revelações, a reação de aliados de Furlan tem sido marcada pela negação dos fatos e pela defesa pública de sua inocência, sustentada no argumento de que as investigações seriam motivadas por interesses políticos.

O discurso, no entanto, não enfrenta diretamente os pontos centrais das investigações, que incluem documentos, rastreamento financeiro e decisões judiciais baseadas em indícios considerados consistentes pelas autoridades.

Estratégia recorrente no cenário político

A utilização da tese de “perseguição política” não é inédita. Trata-se de uma prática recorrente entre agentes públicos investigados por corrupção, frequentemente utilizada como mecanismo de mobilização de apoiadores e deslegitimação de órgãos de controle.

No caso de Macapá, essa estratégia tem sido adotada mesmo após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconheceram a existência de indícios relevantes e determinaram medidas cautelares, como afastamentos de funções públicas.

Aliados mantém apoio

Mesmo diante da sucessão de denúncias, parte significativa dos aliados e apoiadores de Furlan segue defendendo sua honestidade e minimizando os fatos revelados pelas investigações.

O comportamento evidencia uma divisão entre o avanço técnico das apurações — conduzidas por órgãos como Polícia Federal e Ministério Público — e a narrativa política construída por seu grupo de apoio.

Caso segue em investigação

A Operação Paroxismo continua em andamento e pode ter novos desdobramentos, à medida que análises técnicas, especialmente de dados bancários e dispositivos eletrônicos apreendidos, avancem.

Enquanto isso, o embate entre narrativa política e evidências investigativas segue como um dos principais elementos do cenário político em Macapá, com potencial de impactar diretamente o ambiente eleitoral e institucional no estado.

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