Afastamento do prefeito completa 30 dias neste sábado (04); decisão judicial interrompeu fluxo de recursos sob suspeita de desvio milionário

Neste sábado, 4 de abril de 2026, completa exatamente um mês da decisão do Supremo Tribunal Federal que no âmbito da OPERAÇÃO PAROXISMO afastou o então prefeito de Macapá, Antônio Furlan (PSD), no âmbito das investigações da Operação Paroxismo. A medida é apontada como determinante para interromper o que investigadores classificaram como uma “sistemática anômala” de movimentação de recursos públicos nas obras do Hospital Geral do município.
Entenda o caso
A decisão do ministro Flávio Dino, proferida em 4 de março, afastou não apenas o prefeito, mas também o vice e outros servidores estratégicos da gestão municipal. Segundo a Polícia Federal, havia indícios de um esquema estruturado para fraudar licitações, desviar recursos públicos e lavar dinheiro a partir de contratos da construção do hospital.
As investigações apontam que o contrato, estimado em cerca de R$ 70 milhões, teria sido direcionado, com indícios de acesso prévio a informações e posterior retirada de milhões em espécie logo após repasses da prefeitura.
Para o STF, a permanência dos investigados nos cargos criava risco concreto de continuidade das irregularidades e de ocultação de provas.
Segundo as investigação empresas ligadas ao ex-prefeito e a primeira-dama Rayssa Furlam, teriam recebido depósitos bancários que somam mais de R$ 3 milhões. Tais depósitos teriam sido realizados pelo motorista do prefeito. Furlam é pré-candidato ao governo do estado e Rayssa ao senado federal nas eleições de outubro próximo.
Desde o afastamento e a renúncia tanto o ex-prefeito Antônio Furlan como a candidata ao senado Rayssa Furlan nada disseram sobre o teor das investigações, optando em afirmar que “são vítimas de perseguições políticas”, se dizer quem persegue.
Renúncia e tentativa de reorganização política
Um dia após o afastamento, Furlan formalizou sua renúncia ao cargo, em meio ao avanço das investigações que apuram um suposto esquema envolvendo até R$ 129 milhões em recursos públicos.
Nos bastidores políticos de Macapá, cresce a informação de que o ex-prefeito atua para reorganizar seu grupo, pressionando o vice-prefeito a também renunciar ao mandato. A estratégia, segundo fontes políticas, teria como objetivo abrir caminho para nova eleição municipal, o que permitiria a Furlan tentar retomar influência direta sobre a administração da capital.
Intervenção evitou continuidade do suposto esquema

A decisão judicial que completa um mês neste sábado é tratada por investigadores e analistas como um ponto de inflexão.
Relatórios da Polícia Federal indicaram que, após os repasses públicos, havia saques milionários em espécie e movimentações financeiras incompatíveis com a execução da obra, levantando suspeitas de desvio sistemático de recursos.
Nesse contexto, a atuação do STF é vista como determinante para interromper o fluxo financeiro sob suspeita. Avaliação recorrente nos meios jurídicos é de que, sem a intervenção, o esquema poderia ter continuidade, inclusive em meio ao projeto político ligado às eleições de 2026, ou seja, o uso do susposto desvio de recursos públicos em favor da campanha nas eleições ao governo.
Cenário político e reflexos
Eleito em 2020 e reeleito em 2024 com forte respaldo popular, Furlan deixa o cargo no centro de uma das mais graves crises políticas recentes do Amapá.
O caso segue em investigação e ainda deve produzir novos desdobramentos judiciais e políticos, com potencial impacto direto no cenário eleitoral do estado.
A depender dos próximos passos da Justiça e da Polícia Federal, o episódio pode redefinir não apenas a gestão municipal, mas também o equilíbrio de forças na política estadual.








