Casal Furlan evita debates em meio a investigações sobre facções e recursos do Hospital Municipal

Dr.Furlan e Rayssa Furlan acumulam ausências em debates e sabatinas na reta final da campanha, enquanto investigações envolvendo a antiga gestão municipal ganham espaço no debate eleitoral

Ausências de Antônio e Rayssa Furlan nos espaços de confronto público deixam questões levantadas pelas investigações sem o debate direto

A pouco mais de uma semana das eleições, o ex-prefeito de Macapá e candidato ao Governo do Amapá, Dr. Furlan (PSD), e sua esposa, a candidata ao Senado Rayssa Furlan (Podemos), têm evitado os principais espaços de confronto direto com os adversários justamente no momento em que investigações envolvendo a antiga administração municipal passaram a ocupar o centro da campanha eleitoral.

Nesta sexta-feira (25), Furlan não compareceu ao debate entre os candidatos ao Governo do Amapá realizado pela TV Equinócio, afiliada da Record. Segundo a emissora, sua assessoria alegou a existência de outro compromisso previamente agendado. No mesmo horário, porém, o candidato concedeu entrevista a uma emissora de rádio.

A ausência impediu o confronto direto com os demais candidatos e, principalmente, deixou sem resposta no debate questionamentos sobre as investigações envolvendo pessoas apontadas como integrantes de organizações criminosas que ocuparam cargos na Prefeitura de Macapá durante sua administração.

Investigações sobre facções entram no centro da eleição

Reportagem da CNN Brasil revelou, com base em investigação da Polícia Civil, que ao menos 12 pessoas apontadas como ligadas ao crime organizado foram formalmente contratadas ou nomeadas pela Prefeitura de Macapá entre 2021 e 2026, período da administração de Antônio Furlan.

Segundo fonte ligada à investigação ouvida pela CNN, 11 seriam integrantes da Família Terror do Amapá (FTA), enquanto uma seria ligada ao Comando Vermelho. Furlan nega qualquer relação com organizações criminosas.

O assunto ganhou repercussão nacional e passou a integrar o debate político no Amapá justamente na reta final da campanha.

Furlan sustenta que as nomeações realizadas durante sua administração obedeceram aos procedimentos legais e administrativos e argumenta que um prefeito não tem como conhecer aspectos da vida pessoal de todos os servidores. Também afirma ser alvo de perseguição política.

Hospital Municipal também está sob investigação

Outro assunto que acompanha a campanha de Furlan é a Operação Paroxismo, da Polícia Federal, que investiga suspeitas de fraude em licitação, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e possível pagamento de propina relacionados ao projeto e às obras do Hospital Geral Municipal de Macapá.

O contrato investigado foi firmado em maio de 2024 por aproximadamente R$ 69,3 milhões. Segundo a Polícia Federal, existem indícios de um esquema envolvendo agentes públicos e empresários para direcionamento da licitação e desvio de recursos.

Em março, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou o afastamento de Furlan da Prefeitura. Na decisão, Dino registrou que a PF havia encontrado “indícios da existência de uma organização criminosa” envolvendo a Secretaria Municipal de Saúde e a empresa contratada para a construção do hospital.

Furlan posteriormente renunciou ao cargo de prefeito para disputar o Governo do Estado. As investigações continuam em andamento e não equivalem a uma condenação definitiva.

Rayssa também acumula ausências

A estratégia de evitar determinados espaços de questionamento público também tem marcado a campanha de Rayssa Furlan ao Senado.

Em agosto, a candidata não compareceu à abertura de uma rodada de entrevistas da Rádio Diário FM, apesar de ter sido escolhida por sorteio para inaugurar as sabatinas. Segundo o Diário do Amapá, naquela ocasião ela não compareceu ao estúdio nem apresentou justificativa à emissora.

No início de setembro, Rayssa voltou a faltar a entrevistas previamente programadas. No dia 4, não compareceu a uma sabatina da Rede Amazônica e também ficou fora de uma entrevista de 30 minutos na TV Equinócio/Record. Para uma das ausências, sua assessoria informou que havia “compromisso de campanha”.

A sequência de ausências reduz as oportunidades de confronto direto entre a candidata e seus adversários e de questionamentos jornalísticos em tempo real sobre propostas e temas relacionados às investigações que alcançam a antiga administração municipal.

Propaganda substitui confronto direto

Enquanto permanece fora dos principais confrontos entre candidatos, Antônio Furlan tem utilizado o horário eleitoral para apresentar sua versão sobre as acusações e atribuir os questionamentos a ataques de adversários.

No debate da Record, porém, os questionamentos feitos pelos adversários sobre as investigações ficaram sem resposta direta em razão da ausência do candidato.

Há uma diferença importante entre a propaganda eleitoral e um debate: no programa produzido pela própria campanha, o candidato controla o conteúdo, o tempo e a mensagem apresentada ao eleitor. Em um debate, precisa responder diretamente a jornalistas e adversários, inclusive com direito a réplica e tréplica.

É justamente esse confronto que não ocorreu até agora entre Furlan e seus principais adversários nos debates realizados.

Casal chega à reta final sob pressão por respostas

As ausências ganham maior relevância política porque acontecem no momento em que temas relacionados à antiga gestão de Macapá passaram a ocupar espaço nacional.

De um lado, a Polícia Civil investiga a presença de pessoas apontadas como integrantes de organizações criminosas em cargos da Prefeitura durante a administração Furlan. De outro, a Polícia Federal mantém investigação sobre supostas irregularidades envolvendo recursos destinados ao Hospital Geral Municipal.

As investigações ainda estão em andamento e as responsabilidades individuais precisam ser definidas pelas autoridades competentes, com garantia do direito de defesa.

Politicamente, entretanto, os casos já fazem parte da campanha. Com a aproximação do dia da votação, as ausências de Antônio e Rayssa Furlan nos espaços de confronto público deixam questões levantadas pelas investigações sem o debate direto entre o casal, jornalistas e os demais candidatos — justamente quando esses assuntos passaram a ocupar posição central na disputa eleitoral do Amapá.

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