Caso Silvia Waiãpi ultrapassa fronteiras do Amapá e ganha repercussão nacional

Barrada da disputa eleitoral em razão de sua inelegibilidade, ex-deputada acusa Antônio Furlan de traição e de interferir na decisão do PL

A crise interna do Partido Liberal (PL) no Amapá, provocada pela exclusão da ex-deputada federal Silvia Waiãpi da nominata para as eleições de 2026, ganhou repercussão nacional após a divulgação de vídeos em que a ex-parlamentar acusa o ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan (PSD), de atuar para impedir sua candidatura.

As declarações, feitas durante a convenção do PL realizada na segunda-feira (20), rapidamente se espalharam pelas redes sociais e passaram a ser reproduzidas por veículos de comunicação de diferentes estados, ampliando o alcance de um episódio inicialmente restrito ao cenário político amapaense.

Vídeo gerou forte repercussão

Nas imagens divulgadas, Silvia Waiãpi afirma que Furlan teria sido o responsável por sua retirada da nominata do partido.

“Você sabe que foi você quem me tirou dessa nominação”, declarou a ex-deputada diante de dirigentes e filiados.

Em seguida, ela passou a questionar a origem de Furlan, afirmando que “ele não é brasileiro”, em referência ao fato de o ex-prefeito ter nascido na Costa Rica. Conforme amplamente registrado, Furlan nasceu no exterior, mas é filho de brasileiros e possui nacionalidade brasileira.

Exclusão ocorreu por decisão jurídica

Segundo dirigentes do PL, a retirada do nome de Silvia Waiãpi não decorreu de uma decisão política local, mas de um parecer encaminhado pela direção nacional do partido.

Durante a convenção, o pastor Gesiel de Oliveira afirmou que apenas leu o documento enviado pela executiva nacional, o qual apontava que a manutenção da candidatura poderia comprometer juridicamente toda a chapa proporcional do partido.

A ex-deputada encontra-se inelegível após decisão definitiva da Justiça Eleitoral.

Em abril deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve, por unanimidade, sua cassação por utilização de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha para custear um procedimento de harmonização facial, além da constatação de irregularidades na prestação de contas da campanha de 2022.

Repercussão nacional

O episódio envolvendo Silvia Waiãpi ganhou ampla exposição nacional.

Veículos de grande alcance nacional repercutiram o caso e as declaração da ex-parlamentar nas redes sociais, entre eles:

  • O Globo, destacou que a ex-parlamentar afirmou que é “perseguida” dentro do PL desde 2022 e disse, sem apresentar provas, ter sido pressionada a fazer “acordos escusos” para ter o direito ao horário eleitoral gratuito no pleito da época.
  • Carta Capital, destacou declaração de Silvia afirmando que  Furlan (PSD), pré-candidato ao governo do Amapá, é “traidor” e seria o responsável por deixar de fora seu nome do arranjo estadual
  • Veja, afirmou que Silvia promete ir ao TRE do Amapá para tentar obrigar o PL a aceitar sua candidatura.
  •  Metrópoles, destacou fala da ex-deputadaafirmando que o PL local escolheu beneficiar a aliança com Furlan que “nem brasileiro é”, em referência ao fato do ex-prefeito de Macapá ter nascido na Costa Rica.

A controvérsia envolvendo sua exclusão da chapa do PL e as acusações dirigidas contra Antônio Furlan ainda podem produzir novos desdobramentos no cenário eleitoral do Amapá.

Crise expõe divisão no PL

A convenção do Partido Liberal, que deveria oficializar a participação da legenda nas eleições estaduais, acabou marcada pelo embate público entre uma das principais lideranças bolsonaristas do Amapá e integrantes da própria sigla.

A crise evidenciou divergências internas sobre a formação da chapa proporcional e levou a disputa para além do ambiente partidário, com forte repercussão nas redes sociais e cobertura de diversos veículos de comunicação, projetando nacionalmente mais um capítulo da pré-campanha eleitoral amapaense.

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