Reportagem publicada nesta quarta-feira revela que investigação da Polícia Civil identificou ao menos 12 pessoas apontadas como ligadas ao crime organizado que foram contratadas ou nomeadas durante a gestão do ex-prefeito Furlan

A presença de pessoas apontadas por investigadores como integrantes de organizações criminosas nos quadros da Prefeitura de Macapá ganhou repercussão nacional. Reportagem publicada pela CNN Brasil nesta quarta-feira (16) revela que ao menos 12 pessoas apontadas como ligadas ao crime organizado foram formalmente contratadas ou nomeadas pela administração municipal entre 2021 e 2026, período correspondente à gestão do ex-prefeito Antônio Furlan (PSD), atual candidato ao Governo do Amapá.
Segundo a CNN, a reportagem teve acesso a investigações da Polícia Civil do Amapá. Uma fonte ligada à apuração informou ao veículo que, entre as 12 pessoas identificadas, 11 seriam integrantes da Família Terror do Amapá (FTA) e uma seria ligada ao Comando Vermelho. A reportagem acrescenta que a maioria também teria relação com o tráfico de drogas.
A FTA é apontada na reportagem como uma organização ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Polícia investiga infiltração do crime organizado
A dimensão do caso vai além da existência isolada de servidores investigados. Conforme a CNN, a Polícia Civil considera que as contratações são elementos de uma investigação sobre uma possível infiltração do crime organizado na estrutura do poder público municipal.
De acordo com a apuração policial reproduzida pela emissora, integrantes de organizações criminosas teriam circulado entre estruturas do crime e setores da administração municipal. Os investigadores sustentam ainda que a presença dessas pessoas na folha de pagamento não seria resultado apenas de falhas burocráticas ou administrativas isoladas.
A investigação analisa ainda uma possível relação entre cargos públicos, influência territorial e interesses eleitorais. Trata-se, porém, de uma linha investigativa, e as responsabilidades individuais ainda dependem da apuração e das decisões das autoridades competentes.
Subsecretário preso está entre os nomes citados
Entre os casos apresentados pela CNN está o de Jesaias Silva e Silva, conhecido como Geza. Ele comandou a Subsecretaria de Zeladoria da Prefeitura de Macapá entre 2022 e 2024.
Jesaias foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Herodes, em 2024, sob suspeita de envolvimento em articulação eleitoral armada, e, segundo a CNN, encontra-se em prisão preventiva.
Outro nome mencionado é Amanda Camila Pimentel, apontada pela Polícia Civil como uma liderança histórica da FTA. Segundo a reportagem, ela manteve vínculo formal com a Prefeitura de Macapá entre 2023 e 2025 e atualmente está presa.
A investigação também identificou Valdilene Viegas da Silva, que teria sido admitida em 2025 como assistente social da Secretaria Municipal de Saúde. Conforme a CNN, ela foi presa por tráfico de drogas nas operações Narke III e Labirinto de Creta.
Investigação apura pagamentos sem vínculo identificado
Outro ponto destacado pela reportagem nacional envolve pessoas que aparecem associadas a pagamentos públicos, mas cujos vínculos não teriam sido encontrados nos registros oficiais consultados.
É o caso de Benedita de Nazaré Gomes Batista, apontada pela investigação como uma das responsáveis pela chamada “sintonia feminina” da FTA.
Segundo a CNN, o nome dela aparece em uma lista de pagamentos da Companhia de Transportes e Trânsito de Macapá (CTMac), referente a dezembro de 2025, embora os investigadores afirmem que ela não aparece no cadastro de servidores do município. A Polícia Civil investiga a natureza do vínculo, a eventual prestação de serviços e a regularidade dos pagamentos.
Também é mencionada Magda Steffani Costa dos Santos, apontada pela Polícia Civil como operadora financeira da facção e condenada por tráfico de drogas. Ela é casada com Tiago Pantoja Borges, conhecido como “Espeta”, apontado pela investigação como uma das lideranças da FTA.
De acordo com a CNN, Magda declarou em audiência judicial que possuía contrato com a Prefeitura. Os investigadores, entretanto, ainda não teriam identificado qual função ela exercia. Ela também responde a uma ação penal por suspeita de lavagem de dinheiro.
Caso já vinha ganhando repercussão nacional
A nova reportagem amplia a repercussão nacional das investigações sobre a presença do crime organizado na política amapaense.
No último sábado (12), a própria CNN noticiou que o Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) cassou o diploma de suplente de vereador de Luanderson de Oliveira Alves, o Caçula, e declarou sua inelegibilidade por oito anos. Segundo a decisão noticiada pela emissora, o tribunal reconheceu abuso de poder econômico relacionado ao uso da estrutura e do domínio territorial da FTA nas eleições municipais de 2024. A decisão ainda admite recurso.
A Procuradoria Regional Eleitoral sustentou no processo que Caçula teria buscado apoio de integrantes da organização criminosa para mobilização eleitoral em comunidades de Macapá.
Furlan nega qualquer relação com facções
Procurado pela CNN, Antônio Furlan negou qualquer relação com organizações criminosas.
O ex-prefeito afirmou que as nomeações realizadas durante sua administração observaram os procedimentos administrativos e legais exigidos para ingresso no serviço público, inclusive apresentação da documentação e das certidões previstas.
Furlan argumentou ainda que uma administração municipal possui milhares de servidores e que não seria possível ao chefe do Executivo conhecer aspectos da vida pessoal de cada pessoa contratada quando não existe impedimento formal no procedimento de admissão. Segundo ele, parte das nomeações para cargos de confiança também teria ocorrido por indicação de vereadores, deputados e outras lideranças políticas.
O candidato ao Governo afirmou ainda ser alvo de perseguição política no contexto eleitoral e citou declaração atribuída ao delegado Estefano da Silva Santos, titular da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco-AP), segundo a qual as investigações da unidade não teriam identificado indícios que relacionassem diretamente Furlan a facções criminosas.
A CNN informou que buscava manifestação das defesas das demais pessoas mencionadas e também da Prefeitura de Macapá.
A reportagem nacional foi publicada às 6h desta quarta-feira (16), assinada pelo jornalista Lucas Schroeder.
Fonte: CNN Brasil — “Prefeitura de Macapá empregou ligados à facção criminosa entre 2021 e 2026








