Produção mistura futuro distópico, robôs garimpeiros e crítica social para refletir sobre exploração e cultura ancestral
Por PressWorks — São Paulo

O curta-metragem “Amazônia Xamã”, dirigido pelo cineasta e desenvolvedor de tecnologias Rodrigo Pedroza, aposta na ficção científica para discutir temas urgentes ligados ao presente e ao futuro da Amazônia. A obra constrói uma narrativa que une tecnologia, meio ambiente e questões sociais de forma direta e acessível.
Na história, a floresta aparece dominada por máquinas que assumem o papel da exploração ilegal. Robôs garimpeiros e madeireiros avançam sobre o território, criando um cenário de destruição ambiental em larga escala. É nesse contexto que surge Raoni, último sobrevivente de sua etnia, que tenta preservar os saberes ancestrais do seu povo.
A proposta do curta é provocar reflexão a partir de uma realidade que, apesar de futurista, dialoga com problemas atuais. “Máquinas e a elite explorando vidas como se fossem descartáveis? A ideia é fazer o público pensar sobre o mundo que estamos construindo“, afirma Rodrigo Pedroza.
Além da crítica ambiental, a produção também aborda temas como consumismo, desigualdade e estruturas coloniais que continuam impactando populações e territórios. “A gente questiona a violência contra povos e contra a natureza. Não é só sobre o futuro, é sobre o agora“, completa o diretor.
O filme também se conecta com uma tradição do cinema que usa a tecnologia para imaginar cenários e levantar discussões. Obras como Star Wars e De Volta para o Futuro ajudaram a apresentar novas ideias e possibilidades ao público. Em “Amazônia Xamã”, esse recurso aparece como ferramenta para pensar os limites e consequências do avanço tecnológico.
Para Pedroza, o audiovisual tem um papel importante nesse processo. “O cinema consegue mostrar tecnologias e, ao mesmo tempo, questionar como elas estão sendo usadas e para quem”, diz.
A produção reúne mais de 30 profissionais entre elenco e equipe técnica, reforçando a força do trabalho coletivo no audiovisual independente. As gravações foram realizadas em diferentes pontos de Macapá, valorizando a região e contribuindo para a construção da identidade visual do curta.
Viabilizado por meio da Lei Paulo Gustavo, o projeto também evidencia a importância do incentivo à cultura. “Esse filme mostra que existem muitas histórias potentes sendo produzidas fora dos grandes centros, e que precisam de espaço“, afirma o diretor.
Com “Amazônia Xamã”, Rodrigo Pedroza apresenta um curta que usa a ficção científica como ferramenta para questionar o presente e provocar uma reflexão simples, mas necessária: que tipo de futuro está sendo construído.








