Alesson Cavalcante é filho da deputada estadual eleita Kinovak Tourinho, a mais votada no Amapá nas eleições de 2026

Três votos bastaram para definir um suplente de deputado estadual nas eleições de 2026. Só que o candidato havia abdicado da candidatura dois meses antes do 1º turno. Esse é Alesson Cavalcante (PV-AP), de 31 anos, filho da deputada estadual eleita Kinovak Tourinho (Republicanos-AP), a mulher mais votada para a Assembleia Legislativa do Amapá (Alap) neste ano, e do presidente do PV no Estado, Alan Cavalcante. O levantamento foi feito pela jornalista Melissa Duarte e publicado no jornal eletrônico Estadão, neste sábado, 7.

De acordo com a reportagem, o pedido de renúncia “por razões pessoais”, com data de 5 de agosto, consta na página dele no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O documento chegou ao sistema do tribunal em 4 de outubro, às 16h51, próximo ao encerramento do 1º turno, junto a uma petição em que os advogados de Cavalcante ratificam a solicitação.
“O documento foi elaborado justamente para que fossem adotadas as providências necessárias à formalização da renúncia. O Requerente afirma ter solicitado ao partido/agremiação responsável que promovesse os atos necessários perante a Justiça Eleitoral, possuindo comprovante dessa solicitação. Todavia, a providência não foi efetivada, de modo que a candidatura permaneceu formalmente registrada nos sistemas da Justiça Eleitoral, apesar da vontade anteriormente exteriorizada pelo próprio candidato de não prosseguir na disputa”, escreveu a defesa, em recorte feito pelo Estadão.
O juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) Alex Lamy negou os pedidos sob a justificativa de que não atendiam às normas do TSE. Sem a formalização da renúncia, a candidatura dele continuou válida.

Nas redes sociais, Alesson não chegou a pedir votos para si ou publicar propostas e atos da própria candidatura. Limitou-se a fazer campanha para a mãe e a mostrar eventos em prol da eleição dele. Ambos estrearam nas urnas neste ano.
Segundo o Estadão, A prestação de contas parcial do administrador, entregue ao TSE em setembro, indica que não houve arrecadação de recursos, doadores e fornecedores para a campanha, além de gastos zerados. Já Kinovak informou ter recebido uma doação privada de R$ 45 mil do filho.
“Declaro ainda que tenho ciência que a presente renuncia (sic) não me desobriga do dever de prestar contas de campanha eleitoral pelo período em que efetivamente estive com minha candidatura deferida. Por fim, requeiro ainda, a notificação do partido para que querendo, proceda substituição desde (sic) candidato para completar a nominata proporcional”, escreveu Cavalcante no documento assinado em agosto.
O filho da nova deputada declarou ao TSE ter R$ 6,2 milhões em bens. Do total, R$ 5,9 milhões se referem a cotas da Logística Ambiental (Logam), descrita no Instagram como uma “empresa de extragerenciamento de resíduos de serviços de saúde” e da qual é sócio-administrador, conforme a Receita Federal. O negócio está inscrito na dívida ativa da União por um débito de R$ 855 mil relativo ao Simples Nacional.
Procurada pelo Estadão, a assessoria de imprensa do TRE-AP pediu a reportagem para encaminhar os questionamentos diretamente à Secretaria Judiciária (Sejud) do tribunal. A Corte nega ter tido acesso ao primeiro pedido de renúncia:
“A leitura da petição apresentada pelo advogado indica que, apesar de o documento estar datado de 5 de agosto de 2026, seu protocolo não ocorreu naquela data, tampouco em qualquer data anterior a 4 de outubro de 2026”, afirmou a Sejud em documento enviado ao Estadão.
O estadão apurou que Alesson é o suplente com menos votos em todo o Brasil nas eleições de 2026, mas está longe de ser uma exceção. Outros quatro candidatos a deputados estaduais por Roraima e dois pelo Acre tiveram até 10 votos e ficaram na reserva das vagas para as assembleias legislativas estaduais. Tratam-se de Estados com populações menores, portanto, menos votos são necessários proporcionalmente para a escolha de um suplente.
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