Silvia Kátia de Morais Santos é mãe do guarda municipal de Marituba (PA) Pedro Garcia , apontado como líder da Família Terror do Amapá

A Justiça do Amapá negou o pedido de liberdade apresentado pela defesa de Silvia Kátia de Morais Santos, investigada por participação no esquema financeiro da facção criminosa Família Terror do Amapá (FTA).
Ela é mãe do guarda municipal Pedro de Morais Santos Garcia (foto acima), apontado pela Polícia Civil como chefe da organização que teria movimentado cerca de R$ 40 milhões em três anos com o tráfico de drogas entre o Pará e o Amapá.
A decisão foi proferida em 22 de outubro pelo juiz Diego Moura de Araújo, da 4ª Vara Criminal de Macapá. Além de manter a prisão preventiva, o magistrado também rejeitou os pedidos alternativos de prisão domiciliar e aplicação de medidas cautelares.

De acordo com a decisão, Silvia Kátia teria desempenhado papel importante na movimentação e ocultação de dinheiro proveniente do tráfico de drogas.
A investigação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), com informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), identificou movimentações de R$ 5,2 milhões em uma conta na Caixa Econômica Federal e outros R$ 408 mil no Banco Itaú vinculados à investigada.
No entendimento do juiz, os valores movimentados, os depósitos fracionados em dinheiro e a função atribuída a ela na estrutura financeira da facção indicam risco de continuidade das atividades criminosas. Por isso, a prisão foi considerada necessária.
Esquema de tráfico e lavagem de dinheiro
As investigações da Operação Abadom, deflagrada em 31 de março de 2026, apontam que a FTA mantinha um esquema de tráfico interestadual, com envio de cocaína do Pará para o Amapá por meio de embarcações. A organização também teria conexões com outros estados e possíveis ramificações internacionais.
A droga, principalmente cocaína e crack, era transportada em navios para Macapá e Santana. Para dificultar a fiscalização, os entorpecentes eram fracionados e escondidos em objetos comuns.
Segundo a Polícia Civil, o grupo também estruturou uma rede de lavagem de dinheiro, utilizando empresas de fachada, oficinas mecânicas e lava-jatos que operavam no Amapá e no Pará.
A movimentação financeira ocorria por meio de contas de terceiros, conhecidos como laranjas, e depósitos fracionados para tentar evitar a identificação dos recursos pelas autoridades.
Ainda conforme as investigações, o dinheiro obtido com o tráfico era utilizado para comprar armas e financiar outras atividades criminosas.
Pedro Garcia trabalhava na Guarda Municipal de Marituba, no Pará. Ele é acusado de movimentar aproximadamente R$ 40 milhões em três anos por meio do esquema criminoso.
Doença e necessidade de cuidar da neta
Ao pedir a liberdade da investigada, a defesa argumentou que não havia fatos recentes que justificassem a manutenção da prisão. Também apresentou como justificativas um nódulo cervical e a necessidade de Silvia Kátia ajudar nos cuidados da neta, de cinco anos, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O juiz considerou que o problema de saúde, embora necessite de acompanhamento, não comprova uma condição de extrema debilidade que justifique a substituição da prisão por domiciliar.
A decisão determinou que a administração penitenciária assegure avaliação médica e tratamento adequado à investigada. Sobre a neta, o magistrado observou que a mãe da criança, Gabriela de Morais Santos Garcia, também responde à investigação e já cumpre prisão domiciliar. Para o juiz, a defesa não demonstrou que a presença da avó seja indispensável aos cuidados da menina.
O magistrado considerou insuficientes outras medidas cautelares, diante da possibilidade de manutenção de contatos e realização de operações financeiras por meios eletrônicos.
Silvia Kátia continua presa preventivamente e responde à investigação relacionada aos crimes de tráfico interestadual de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.








