Gabriel da Silva Nogueira foi encontrado enterrado atrás do muro do Infraero, em Macapá; perícia apontou sinais de tortura e morte por estrangulamento

Uma mulher foi condenada a 23 anos de prisão pelo assassinato de Gabriel da Silva Nogueira, de 17 anos, encontrado enterrado em uma cova rasa atrás do muro do Infraero, no bairro São Lázaro, em Macapá.
A perícia apontou que o adolescente foi estrangulado e sofreu múltiplas lesões provocadas por instrumentos cortantes. Ele estava com as mãos amarradas para trás e amordaçado.

A condenação de Rosa Maria Cruz de Jesus ocorreu na segunda-feira (31), durante julgamento no Tribunal do Júri de Macapá. O Ministério Público do Amapá (MP-AP) sustentou a acusação de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Adolescente desapareceu após sair de casa
Gabriel desapareceu na manhã de 22 de abril de 2024, depois de sair da casa de uma das irmãs. A família iniciou as buscas após perceber que ele não havia retornado. Dias depois, familiares receberam mensagens de um perfil falso no Facebook informando que o adolescente havia sido morto e indicando o local onde o corpo estaria.
Policiais fizeram buscas na área e encontraram Gabriel enterrado atrás do muro do Infraero. O corpo foi reconhecido pela família pelas roupas e tatuagens.
Segundo a investigação, uma das hipóteses para a motivação do crime seria vingança. A acusada teria associado Gabriel à morte de um de seus filhos durante uma intervenção policial. Os investigadores também levantaram a possibilidade de que o adolescente tenha sido morto como forma de punição.
Perícia apontou crueldade
Além dos cortes no corpo, o laudo necroscópico apontou asfixia mecânica por estrangulamento como causa da morte e registrou características de crueldade e tortura. A perícia também destacou que a capacidade de defesa de Gabriel estava comprometida porque ele permanecia com as mãos imobilizadas para trás.
Durante a investigação, policiais apreenderam na casa de Rosa Maria fios trançados nas cores vermelha e preta. Um exame pericial apontou compatibilidade entre o material e os fios usados para amarrar as mãos e os braços do adolescente.
Rosa Maria negou participação no crime. Ela afirmou que os fios encontrados em sua residência eram utilizados para fazer dreads no cabelo. Durante o processo, a defesa também sustentou a fragilidade das provas e negou a autoria.
Júri reconheceu três qualificadoras
Os sete jurados reconheceram a participação de Rosa Maria no homicídio e na ocultação do cadáver. Também foram mantidas as três qualificadoras apresentadas pelo MP-AP: motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima.
Pelo homicídio qualificado, a ré recebeu 22 anos de prisão. A pena total ficou em 23 anos de reclusão, em regime fechado A sentença manteve a prisão de Rosa Maria, que estava detida desde 30 de setembro de 2024.








