Operação mira lideranças do PCC no Amapá e cumpre 20 mandados judiciais

Investigação do MP-AP identificou integrantes da facção que comandavam tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e execuções de rivais a partir do Amapá e de São Paulo

O Ministério Público do Amapá (MP-AP) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (17), a Operação Convergência Nacional – Amapá, com o objetivo de desarticular a atuação de lideranças da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no estado. A ação resultou no cumprimento de 10 mandados de prisão preventiva e 10 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Estadual.

A operação foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Núcleo de Investigações do Ministério Público (NIMP), integrando uma mobilização nacional do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), que reúne unidades especializadas dos Ministérios Públicos de todo o país no enfrentamento às facções criminosas.

Segundo as investigações, integrantes da facção atuavam em funções estratégicas conhecidas como “Disciplina” e “Progresso”, responsáveis por impor punições internas, ordenar execuções de rivais e fortalecer financeiramente a organização por meio de atividades ilícitas. O grupo é apontado como responsável por comandar o tráfico de drogas, o comércio ilegal de armas de fogo e a cooptação de adolescentes em diversos bairros de Macapá.

As apurações indicam ainda que parte das lideranças investigadas reside no estado de São Paulo, de onde continuaria emitindo ordens para comparsas em território amapaense. Por esse motivo, a operação contou com o apoio da Polícia Militar paulista para o cumprimento de mandados fora do Amapá.

A investigação teve início em março de 2026, após a apreensão em flagrante de um adolescente de 16 anos por ato infracional análogo ao tráfico de drogas, no bairro Araxá, na zona sul de Macapá. Durante a análise do material encontrado com o menor, os investigadores identificaram elementos que revelaram a estrutura de comando da facção e a atuação de suas lideranças no estado.

O adolescente permaneceu custodiado provisoriamente enquanto respondia a procedimento socioeducativo, mas morreu menos de 15 dias depois, em circunstâncias que ainda estão sendo investigadas pelas autoridades.

Entre os crimes atribuídos aos investigados está o assassinato de uma mulher de 29 anos, ocorrido em 2025, na presença da filha de apenas oito anos. De acordo com a investigação, a vítima teria sido executada por pertencer a uma facção rival. Um dos alvos da operação é apontado como mentor e mandante do crime, enquanto a execução teria sido realizada por adolescentes ligados à organização criminosa.

Outro investigado é suspeito de participação na morte e no esquartejamento de um homem que, segundo as apurações, também integraria um grupo criminoso rival.

Todo o material apreendido durante as diligências será submetido à análise técnica. Após a conclusão dessa etapa, o Ministério Público deverá formalizar as denúncias contra os investigados dentro dos prazos legais.

COMPARTILHE!

Comentários:

Notícias Relacionadas

error: Conteúdo protegido!!