Petrobras identificou hidrocarbonetos no poço Morpho, a cerca de 175 quilômetros da costa amapaense. Lideranças afirmam que descoberta abre nova etapa para o estado, mas confirmação da viabilidade comercial ainda dependerá de estudos e avaliações adicionais.

O anúncio feito pela Petrobras nesta sexta-feira (14) sobre a identificação de petróleo em águas profundas na costa do Amapá foi recebido como um marco histórico pelas principais lideranças políticas do estado. O governador Clécio Luís (União), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o líder do Governo Federal no Senado, Randolfe Rodrigues (PT-AP), divulgaram manifestações celebrando a descoberta e apontando o potencial de transformação econômica para o Amapá.
A Petrobras informou que identificou a presença de hidrocarbonetos no poço exploratório Morpho, no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, área que integra a Margem Equatorial brasileira. O poço está localizado a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá, em águas ultraprofundas, com lâmina d’água de 2.886 metros.
Apesar do anúncio, a descoberta ainda não significa que a produção comercial de petróleo esteja definida. A perfuração e as análises precisam avançar para determinar características como volume, qualidade dos hidrocarbonetos encontrados e viabilidade econômica de uma eventual produção em larga escala.
Randolfe: “Se abre um enorme horizonte para o Amapá”

Nas redes sociais, Randolfe Rodrigues classificou o resultado como o início de uma nova fase para o estado.
“A partir de agora começa uma nova fase, a pesquisa para a exploração de petróleo em escala comercial. Se abre um enorme horizonte para o Amapá”, afirmou.
Para o senador, o anúncio representa também o resultado de anos de mobilização política para que a Petrobras pudesse pesquisar o potencial petrolífero da região.
“Valeu a pena a luta até aqui para garantir as nossas riquezas e, sobretudo, para apontar para os próximos anos, para gerações atuais e para gerações futuras como essa riqueza vai melhorar a qualidade de vida do Amapá”, completou.
A defesa da pesquisa na Margem Equatorial mobiliza há anos lideranças políticas amapaenses. Em setembro de 2025, durante manifestação no Senado, Davi Alcolumbre chegou a destacar a participação conjunta de Randolfe, Clécio Luís, do ministro Waldez Góes e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas articulações em torno do licenciamento.
Davi Alcolumbre: “Hoje é um dia histórico”

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, também comemorou a notícia. Em nota distribuída à imprensa, afirmou ter sido informado da descoberta pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
“Hoje é um dia histórico para o Amapá e para o Brasil. Um dia que confirma aquilo em que sempre acreditamos: o Amapá é gigante e tem muito a contribuir para o desenvolvimento do nosso país”, declarou.
Alcolumbre relacionou o resultado diretamente à longa disputa pela autorização para que a Petrobras realizasse pesquisas na Margem Equatorial.
“Estávamos certos. Foram anos de luta para chegar até aqui. Lutamos pelo direito de pesquisar a Margem Equatorial e conhecer as nossas riquezas. Lutamos para que, sendo possível a exploração, essa riqueza seja transformada em emprego, renda, oportunidades e qualidade de vida para o povo amapaense e contribua para o desenvolvimento do Brasil”, afirmou.
O discurso mantém a posição defendida pelo senador durante o processo de licenciamento. Em pronunciamento no Senado em 2025, Alcolumbre lembrou que a autorização para pesquisar a região era aguardada havia mais de uma década e defendeu que eventual exploração fosse acompanhada de desenvolvimento econômico para a população do Amapá.
Clécio destaca instalação da cadeia do petróleo no Amapá

O governador Clécio Luís ressaltou que a descoberta ocorre depois de uma longa batalha para obtenção do licenciamento ambiental necessário à perfuração do poço.
Clécio também destacou que as articulações não ficaram restritas à licença ambiental. Segundo o governador, o estado trabalhou para fazer com que parte da estrutura logística e empresarial necessária às operações fosse instalada no próprio Amapá, especialmente em Oiapoque.
“A primeira grande vitória foi trazer a Petrobras para o Amapá. A segunda foi trazer a base da Petrobras, que estava em Belém, para o Oiapoque. Depois conseguimos o licenciamento antes da COP e, agora, estamos vivendo a implantação da Petrobras, da Transpetro, da Constellation, da CBO e de várias outras empresas que estão se instalando no estado”, celebrou.
A instalação dessa estrutura é considerada estratégica pelo governo estadual porque uma eventual consolidação da atividade petrolífera poderá movimentar outros segmentos da economia, como logística, transporte, construção, serviços, hotelaria e qualificação profissional.
Poço está a 175 quilômetros da costa
A descoberta ocorreu no poço Morpho (1-BRSA-1405-APS), no bloco FZA-M-59. Segundo as informações divulgadas nesta sexta-feira, os hidrocarbonetos foram identificados durante a perfuração e a Petrobras continuará realizando avaliações sobre o reservatório.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que o resultado reforça as perspectivas da companhia para a Margem Equatorial e a estratégia de recomposição das reservas brasileiras de petróleo.
A área é considerada uma das novas fronteiras exploratórias mais importantes do país. A Petrobras já havia incluído a Margem Equatorial em sua estratégia de exploração, diante da necessidade de descobrir novas reservas para sustentar a produção brasileira nas próximas décadas.
Descoberta é primeiro passo de um processo mais longo
Embora a notícia tenha sido comemorada politicamente, existe uma diferença importante entre encontrar hidrocarbonetos e comprovar uma reserva comercial de petróleo.
A descoberta desta sexta-feira confirma o potencial petrolífero do poço pesquisado, mas ainda serão necessárias análises técnicas para dimensionar o reservatório e verificar se a quantidade e as características do petróleo permitem uma exploração economicamente viável.
Somente depois dessas etapas poderá ser definida a possibilidade de desenvolvimento de um projeto comercial, que exigiria novos investimentos, infraestrutura e novos procedimentos regulatórios e ambientais.
Para o Amapá, entretanto, o anúncio muda o patamar da discussão. Depois de anos de debate concentrado na autorização para pesquisar se havia petróleo na região, o estado passa agora a acompanhar uma nova questão: qual é o tamanho da descoberta e se ela poderá efetivamente transformar-se em produção comercial, empregos, investimentos, royalties e desenvolvimento econômico.
É justamente nessa próxima etapa que Clécio Luís, Davi Alcolumbre e Randolfe Rodrigues concentram o discurso político: transformar uma eventual riqueza petrolífera em benefícios permanentes para a população amapaense, ao mesmo tempo em que permanecem no debate as exigências de segurança operacional e proteção ambiental de uma das regiões mais sensíveis da costa amazônica.








