Acácio pede apreensão do celular de Gilvam em processo por calúnia, injúria e difamação 

Deputado federal também quer que o ex-senador seja proibido de acessar rede sociais; justiça solicitou parecer do MP

A juíza Marina Lorena Lustosa, da 3ª Vara Criminal de Auditoria Militar de Macapá, pediu parecer do Ministério Público do Amapá (MP-AP) sobre um pedido feito pelo deputado federal Acácio Favacho (MDB), dentro de uma queixa-crime ajuizada contra o ex-senador Gilvam Borges por calúnia, difamação e injúria.

Ofensas divulgadas nas redes sociais

O processo tem origem em um vídeo divulgado nas redes sociais em maio de 2025, no qual Gilvam teria disparado uma sequência de adjetivos ofensivos contra o parlamentar. Entre as expressões citadas na ação estão “sicofanta”, “parlapatão” e “cheira pedra”. Na publicação, Gilvam também teria afirmado que Acácio seria um inveterado consumidor de drogas.

Alegando que as ofensas continuam ocorrendo, Acácio pediu que a Justiça determine a apreensão do aparelho celular de uso pessoal de Gilvam e a proibição de acesso e utilização de redes sociais até o encerramento do processo.

Medidas desproporcionais

Ao analisar o pedido, a juíza considerou que as medidas, se autorizadas, seriam desproporcionais. No caso da busca e apreensão do telefone, ela afirmou que a medida foi “requerida essencialmente com a finalidade de impedir futuras publicações, sem indicação concreta de sua imprescindibilidade para a investigação ou instrução deste feito”.

Sobre o impedimento de usar as redes sociais, a magistrada ressaltou que a proibição seria genérica, atingindo todas as manifestações, inclusive aquelas que não interessam ao processo, sobretudo porque o conteúdo apontado como ofensivo já foi indisponibilizado.

MP-AP será ouvido

Apesar desses argumentos, a magistrada pediu um parecer do Ministério Público antes de uma decisão definitiva sobre os pedidos.

“Não obstante, antes da apreciação definitiva do pedido, considerando a natureza das medidas postuladas e a alegação de reiteração de conduta supostamente delitiva no curso da ação penal, reputo pertinente a prévia manifestação do órgão ministerial”, concluiu.

Racha no MDB em 2023

O distanciamento entre Acácio e Gilvam começou após Gilvam perder o comando do MDB no Amapá, no início de 2023, em uma articulação política costurada em Brasília que acabou colocando Acácio Favacho na presidência da legenda.

Outro episódio que aprofundou o racha e deixou a relação ainda mais azeda ocorreu quando a direção do MDB, já sob o controle de Acácio, atribuiu a Gilvam problemas encontrados na prestação de contas do partido — uma situação que ampliou o clima de desgaste e ressentimento dentro da sigla.

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