Levantamento feito pelo Estadão revela que Dr. Furlan teve o 2º “voto mais caro” do País

Região Norte tem três dos cinco mandatários eleitos em primeiro turno com valor mais alto; 1º posto fiou com o governador eleito de Roraima

Os 21 governadores eleitos no primeiro turno receberam um total de R$ 184,6 milhões em doações para as campanhas eleitorais. O valor está discriminado nas prestações de contas apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até a segunda-feira, 18.

Ao cruzar os montantes repassados a cada candidatura com o número de eleitores conquistados, o Estadão constatou que os votos “mais caros” do País foram registrados nos menores Estados.

Proporcionalmente, o voto de custo mais elevado foi para eleger Arthur Henrique, do PL, em Roraima, menor colégio eleitoral do Brasil. De acordo com os dados da reportagem publicada nesta sexta-feira, 23, o voto em Arthur Henrique saiu por R$ 11,73. Ele recebeu um total de R$ 2,5 milhões em doações, e foi eleito com 220,8 mil votos. Procurado, o governador eleito não se manifestou.

No Amapá, segundo menor colégio eleitoral do País, eleger Dr. Furlan (PSD) teve o segundo maior custo, R$ 9,76 por voto. Ele recebeu R$ 2,7 milhões em doações, e venceu a disputa com 281,5 mil votos.

Procurado pelo Estadão, Furlan disse que “a campanha observou as regras eleitorais aplicáveis, respeitando o teto de gastos e as normas de arrecadação e utilização dos recursos”. 

Também afirmou que é preciso levar em conta “as particularidades territoriais do Amapá, onde os desafios de deslocamento e acesso às comunidades influenciam diretamente a logística de uma campanha eleitoral”.

O terceiro voto mais caro, segundo critério usado pelo Estadão, foi o que elegeu o governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), R$ 9,08. Em seguida veio Marcos Rogério (PL), eleito em Rondônia, com R$ 8,86 o voto. Os Estados são, respectivamente, o sexto e quinto menores colégios eleitorais do País. Procurados, os políticos não se manifestaram.

Votos mais baratos

A campanha que custou menos dentre todos os mandatários eleitos no primeiro turno foi a do senador Cleitinho (Republicanos), vencedor na disputa ao governo de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do País. O mineiro recebeu R$ 1,2 milhão em doações de campanha e conquistou 6,3 milhões de votos, um custo de R$ 0,19 por voto.

A segunda disputa eleitoral mais barata foi a que elegeu o governador Dr. Daniel (Podemos), no Pará, a um custo de R$ 1,25 por voto. Na Bahia, quarto maior colégio eleitoral, Jerônimo Rodrigues, do PT, gastou R$ 7,3 milhões, mas recebeu 4,6 milhões de votos. O voto por pessoa custou R$ 1,58, o terceiro mais barato.

Quanto custou cada voto dos 21 governadores eleitos:

1. Arthur Henrique (PL), em Roraima: R$ 11,73 por voto;

2. Dr. Furlan (PSD), eleito no Amapá: R$ 9,76 o voto;

3. Fábio Mitidieri (PSD), governador eleito de Sergipe: R$ 9,08 por voto;

4. Marcos Rogério (PL), eleito governador de Rondônia: R$ 8,86 o voto;

5. Otaviano Pivetta (Republicanos), eleito em Mato Grosso: R$ 6,83 por voto;

6. JHC (PSDB), eleito em Alagoas: R$ 6,53 por voto;

7. PB: Lucas Ribeiro (PP) → R$ 5,18 o voto;

8. PI: Rafael Fonteles (PT) → R$ 4,95 o voto;

9. CE: Elmano de Freitas (PT) → R$ 4,57 o voto;

10. MS: Eduardo Riedel (PP) → R$ 4,38 o voto;

11. GO: Daniel Vilela (MDB) → R$ 4,36 o voto;

12. PE: Raquel Lyra (PSD) → R$ 4,30 o voto;

13. RJ: Douglas Ruas (PL) → R$ 4,29 o voto;

14. PR: Sergio Moro (PL): → R$ 4,15 o voto;

15. MA: Eduardo Braide (PSD) → R$ 3,67 o voto;

16. RS: Zucco (PL) → R$ 3,43 o voto;

17. SC: Jorginho Mello (PL) → R$ 2,68 o voto;

18. SP: Tarcísio de Freitas (Republicanos) → R$ 2,10 o voto 

19. BA: Jerônimo Rodrigues (PT) → R$ 1,58 o voto;

20. PA: Dr. Daniel (Podemos) → R$ 1,25 o voto;

21. MG: Cleitinho (Republicanos) → R$ 0,19 o voto.

O que disse Dr. Furlan?

Em nota enviada ao Estadão, Dr. Furlan, eleito no Amapá, alegou que “levar a campanha aos diferentes municípios e comunidades, garantindo presença, diálogo e acesso da população ao candidato, envolve custos que não podem ser analisados exclusivamente pela relação entre o total de despesas e o número de votos recebidos”.

Ele afirmou ainda que se manteve dentro do limite de gastos estabelecido pelo TSE. “É importante destacar que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu o limite legal de gastos para a disputa ao Governo do Amapá em R$ 3.557.761,23 no primeiro turno. A campanha observou as regras eleitorais aplicáveis, respeitando o teto de gastos e as normas de arrecadação e utilização dos recursos”.

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