Em números absolutos, o levantamento aponta que cerca de 106,4 mil domicílios no Amapá são mantidos por mulheres

Os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Amapá está entre os estados brasileiros com maior proporção de mulheres responsáveis pelo sustento e manutenção das famílias, cenário que vem crescendo nos últimos anos e revela mudanças profundas na estrutura social do estado.
Segundo o Censo Demográfico 2022, 52,9% dos domicílios amapaenses têm mulheres como responsáveis pela casa e pelo sustento familiar. Em 2010, esse percentual era de 44,2%, o que representa crescimento de 8,7 pontos percentuais em apenas 12 anos.
Em números absolutos, o levantamento aponta que cerca de 106,4 mil domicílios no Amapá são mantidos por mulheres, enquanto aproximadamente 94,8 mil têm homens como responsáveis.
Comparativo dos dados no Amapá
| Ano | Mulheres responsáveis pelo domicílio | Homens responsáveis pelo domicílio |
| 2010 | 44,2% | 55,8% |
| 2022 | 52,9% | 47,1% |
O Amapá aparece como o quarto estado brasileiro com maior percentual de lares liderados por mulheres, atrás apenas de Pernambuco, Sergipe e Maranhão.
Faixa etária das mulheres responsáveis pelas famílias
O IBGE identificou que a maior parte das pessoas responsáveis pelos domicílios brasileiros possui mais de 40 anos. Em nível nacional, 67,3% dos responsáveis pelos lares estão acima dessa faixa etária. O grupo predominante está entre 40 e 59 anos.
Embora o levantamento divulgado pelo IBGE para o Amapá não detalhe integralmente a idade apenas das mulheres chefes de família, os dados nacionais indicam forte concentração de mães responsáveis por famílias nas seguintes faixas:
- 40 a 59 anos — maior grupo;
- 25 a 39 anos — segunda maior faixa;
- 60 anos ou mais — participação crescente;
- 18 a 24 anos — cerca de 5,2% dos responsáveis pelos domicílios.
Mães solo e número de filhos

O Censo 2022 também mostrou avanço significativo das famílias monoparentais femininas — quando a mulher vive com os filhos sem a presença de cônjuge.
No Brasil, existem cerca de 7,8 milhões de mulheres criando filhos sozinhas sem companheiro ou outros parentes no mesmo domicílio. Esse modelo familiar representa 13,5% das famílias brasileiras.
No Amapá, os indicadores mostram cenário ainda mais intenso. O estado está entre os que possuem maior percentual de famílias compostas por mulheres sem cônjuge e com filhos. Levantamentos apontam que aproximadamente 33,5% dos lares com filhos no estado são sustentados exclusivamente por mulheres. Esse índice coloca o Amapá entre os maiores do país em lares de mães solo.
Em relação ao número de filhos, o IBGE aponta que a Região Norte continua apresentando as maiores taxas de fecundidade do país. O Amapá aparece entre os estados com maior média de filhos por mulher no Brasil.
Segundo dados do IBGE:
| Estado | Taxa de fecundidade (filhos por mulher) |
| Acre | 2,39 |
| Amapá | 2,20 |
| Amazonas | 2,20 |
| Média nacional | 1,55 |
Esse indicador ajuda a explicar o elevado número de famílias chefiadas por mulheres no estado, especialmente mães solo responsáveis por dois ou mais filhos.
Mudança social e econômica
Pesquisadores atribuem o crescimento das mulheres como principais responsáveis pelas famílias a vários fatores como aumento da participação feminina no mercado de trabalho; crescimento do número de separações; ampliação das famílias monoparentais; independência financeira feminina; redução da presença masculina na manutenção familiar; e maior reconhecimento social da mulher como principal provedora da casa.
Especialistas também destacam que muitas dessas mulheres acumulam dupla ou tripla jornada, conciliando trabalho, cuidado com os filhos e administração doméstica.








