Estado registra a maior proporção de produtores rurais inadimplentes do Brasil, com índice de 21,2%, muito acima da média nacional de 8,8% e da média da Região Norte, de 13,2%

O Amapá passou a ocupar uma posição preocupante no cenário do agronegócio brasileiro. Levantamento da Serasa Experian, divulgado pela CNN Brasil, mostra que o estado possui, proporcionalmente, a maior taxa de inadimplência entre produtores rurais de todo o país.
Segundo o estudo, 21,2% da população rural amapaense está inadimplente, percentual que coloca o estado na liderança nacional do ranking. O índice é mais que o dobro da média brasileira, que alcançou 8,8% no primeiro trimestre de 2026, o maior patamar da série histórica da Serasa Experian.
Norte concentra maior índice de inadimplência
O levantamento revela ainda que a Região Norte apresentou a maior taxa de inadimplência do país, com 13,2%, seguida pelo Nordeste (10,2%) e Centro-Oeste (10,1%). Mesmo dentro desse cenário desfavorável, o Amapá aparece muito acima da média regional, evidenciando a gravidade da situação enfrentada pelos produtores locais.
Na outra ponta do ranking está o Rio Grande do Sul, com apenas 5,8% de inadimplência, o menor percentual entre todas as unidades da Federação.
Custos elevados e crédito restrito pressionam produtores
De acordo com Marcelo Pimenta, head de Agronegócio da Serasa Experian, o crescimento da inadimplência demonstra que muitos produtores rurais ainda enfrentam dificuldades para recompor sua capacidade financeira.
Mesmo com melhora em alguns segmentos do setor, os reflexos de ciclos anteriores, marcados por custos elevados de produção, oscilações de preços e maior restrição ao crédito, continuam comprometendo o fluxo de caixa e a capacidade de pagamento dos produtores.
Recorde histórico
Em âmbito nacional, a inadimplência da população rural passou de 7,6% no primeiro trimestre de 2025 para 8,8% no mesmo período de 2026, mantendo uma trajetória de crescimento contínuo e atingindo o maior nível desde o início da série histórica da Serasa Experian.
O indicador considera dívidas vencidas há mais de 180 dias, superiores a R$ 1 mil, contraídas junto a instituições financeiras, cooperativas, fornecedores de insumos, agroindústrias e outras empresas ligadas ao agronegócio. A base do levantamento reúne aproximadamente 10,7 milhões de pessoas físicas da população rural brasileira.
Reflexos para o Amapá
Os números reforçam os desafios enfrentados pelo agronegócio amapaense. O elevado índice de inadimplência tende a dificultar o acesso dos produtores ao crédito rural, aumentar o custo dos financiamentos e reduzir a capacidade de investimento em tecnologia, ampliação da produção e modernização das propriedades.
Para especialistas, a recuperação da capacidade financeira do setor dependerá da ampliação do acesso ao crédito, de políticas públicas voltadas à renegociação de dívidas e de condições econômicas que permitam maior estabilidade para os produtores rurais.








