Júlia estava internada desde 23 de outubro em um hospital de Caiena. Governo do Amapá confirmou que a estudante já está em solo brasileiro

A amapaense Júlia Penafort dos Santos, que estava internada em um hospital de Caiena, capital da Guiana Francesa, após denúncias de suposta violência conjugal, já retornou ao território brasileiro e encontra-se em segurança. A informação foi confirmada pelo Governo do Amapá, por meio de comunicado oficial divulgado após uma mobilização que envolveu familiares, autoridades estaduais e representantes diplomáticos brasileiros.
Júlia estava internada desde o dia 23 de outubro e recebeu alta médica no sábado (31). Entretanto, mesmo após a liberação hospitalar, ela e sua mãe, Sônia Maria Penafort, enfrentaram dificuldades relacionadas à documentação exigida pelas autoridades francesas para deixar o território.
Em nota, o Governo do Amapá informou que, desde o primeiro contato com a administração estadual, foram mobilizados esforços institucionais para garantir acompanhamento e apoio à estudante e à sua mãe.
“O Governo do Estado do Amapá, por meio de suas secretarias, informa que Júlia Penafort dos Santos já está em solo brasileiro e encontra-se em segurança”, afirma o comunicado.
Mãe viajou para Caiena após pedido de ajuda da filha
O caso ganhou repercussão depois que familiares de Júlia divulgaram informações sobre as dificuldades enfrentadas pela estudante na Guiana Francesa.
Segundo os relatos, Júlia conseguiu entrar em contato com parentes no Amapá para pedir ajuda.
Diante da situação, sua mãe, Sônia Maria Penafort, viajou de Macapá para Caiena na terça-feira (27), buscando acompanhar a filha e providenciar seu retorno ao Brasil.
Em entrevista ao ConectAmapá, Sônia relatou que a mobilização da família e a repercussão do caso foram fundamentais para conseguir apoio das autoridades brasileiras.
Mesmo após a alta médica, a família ainda enfrentava dificuldades burocráticas para deixar a Guiana Francesa.
“Quando envolve violência contra a mulher, existe muita burocracia aqui na Guiana”, afirmou Sônia, ao comentar os procedimentos necessários para a liberação da filha.
Família denunciou suspeita de violência conjugal
A internação de Júlia ocorreu em meio a denúncias apresentadas por familiares sobre possíveis episódios de violência no relacionamento conjugal.
De acordo com informações divulgadas pelo veículo francês Le Kouroucien, Júlia teria relatado dificuldades enfrentadas no casamento.
Familiares reuniram mensagens, áudios e capturas de tela de conversas que, segundo eles, poderiam contribuir para esclarecer os acontecimentos.
O material foi encaminhado a advogados e autoridades brasileiras.
Entre os órgãos acionados estavam a Polícia Civil, a Polícia Federal, o Ministério Público do Amapá e o Ministério Público Federal.
As denúncias buscam esclarecer as circunstâncias que antecederam a internação da estudante e verificar a possível ocorrência de violência doméstica.
Marido contestou acusações
Em manifestação publicada no sábado (31) pelo Le Kouroucien, Alan Dabreu, marido de Júlia, negou as acusações apresentadas pela família.
Segundo ele, a internação da esposa ocorreu em razão de alterações comportamentais que teriam exigido a intervenção do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU) francês.
Alan também afirmou que devolveu o passaporte de Júlia no mesmo dia.
A versão apresentada pelo marido diverge dos relatos dos familiares.
As circunstâncias que levaram à internação e as denúncias de possível violência conjugal dependem de esclarecimento pelas autoridades competentes.
Governo destaca mobilização de instituições brasileiras
No comunicado oficial, o Governo do Amapá agradeceu a atuação conjunta das instituições que participaram das providências para garantir o acompanhamento e a segurança de Júlia e sua mãe.
Entre os órgãos mencionados estão o Consulado do Brasil na Guiana Francesa, a Ordem dos Advogados do Brasil — Seccional Amapá (OAB-AP), a Secretaria de Estado da Segurança Pública, a Casa da Mulher Brasileira, a Secretaria de Políticas para as Mulheres e o programa Amapá Internacional.
“Agradecemos pelo trabalho em conjunto de todas as entidades envolvidas nessa atuação conjunta”, destacou o governo.
A participação dessas instituições ocorreu após a mobilização da família e a repercussão pública das denúncias.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), e o senador Randolfe Rodrigues (PT) também haviam sido informados sobre a situação da amapaense.
Segundo informações anteriormente divulgadas pelo Le Kouroucien, Júlia e sua mãe receberam proteção policial durante o período em que permaneceram na Guiana Francesa.

Campanha de solidariedade mobilizou familiares e amigos
A situação de Júlia também provocou manifestações de apoio nas redes sociais.
Familiares e amigos organizaram uma campanha de arrecadação de recursos, denominada “Todos pela Júlia”, por meio da plataforma Vakinha.
A iniciativa tinha como objetivo ajudar a custear o retorno da estudante ao Brasil e oferecer suporte para acompanhamento psicológico.
A irmã mais velha de Júlia, Fernanda Penafort, também publicou uma mensagem de solidariedade.
“Você é uma mulher muito forte, corajosa e cheia de luz. Saiba que o Brasil ama você”, escreveu Fernanda.
A mobilização reuniu familiares, amigos e pessoas que acompanharam o caso pela imprensa e pelas redes sociais.








