Em sua quarta edição, o evento promovido pelo Governo do Estado transformou a chamada “Cidade Junina” em um grande centro de cultura

O Arraiá do Povo vem se consolidando como um dos maiores eventos do calendário cultural do Amapá, repetindo um movimento semelhante ao que historicamente ocorre com o Carnaval: unir tradição, identidade popular, geração de renda e forte participação comunitária.
Em sua quarta edição, o evento promovido pelo Governo do Estado transformou a chamada “Cidade Junina” em um grande centro de cultura, lazer e movimentação econômica, reunindo milhares de pessoas em torno das apresentações das quadrilhas e festivais juninos. A estrutura montada fortaleceu não apenas o espetáculo cultural, mas também pequenos empreendedores, artesãos, vendedores de comidas típicas e trabalhadores informais, ampliando o impacto econômico da programação.
Atividade econômica e cultural
O incentivo econômico alcança também o setor de artesanato local, que encontra na Cidade Junina um espaço estruturado para encantar o público e atrair novos clientes. A professora e crocheteira Angélica Pantoja expõe suas peças pela primeira vez no evento e ressaltou o impacto a longo prazo dessa oportunidade.
“Eventos como esse dão visibilidade para o nosso trabalho, além da oportunidade de comercializar. A gente quer ser reconhecido, mas também quer que os nossos produtos sejam adquiridos pelas pessoas. E a gente vai aparecendo, tendo visibilidade, e sendo convidado para outras oportunidades também. É muito bom”, explicou a artesã.

O VII Festival Municipal Sandro Rogério, uma das principais vitrines do evento, encerrou a categoria tradicional com apresentações de grupos como Juventude Brasileira e Mistura Junina, reforçando o alto nível técnico e artístico das quadrilhas amapaenses. A competição evidencia a profissionalização do segmento e a capacidade de mobilização social em torno do ciclo junino.
O presidente da Liga Junina de Macapá (Ligajum), Cláudio Vaz, ressaltou o impacto transformador da quadra junina para o desenvolvimento social e econômico local. Segundo o representante, a valorização da tradição vai além do entretenimento, alcançando diferentes gerações.
“A importância dessa festa junina é que ela proporciona à juventude e à sociedade em geral o acesso à cultura. O evento fomenta a economia do nosso Estado, gerando renda, emprego e, principalmente, garantindo lazer”, destacou Vaz.

Para o presidente da Rosa dos Ventos e muso do carnaval PCD do Brasil, Sandro William, a festividade representa, acima de tudo, inclusão.
“É muito bom quando o governo abre esse espaço e faz um evento tão maravilhoso, é valorização. Levantamos essa bandeira porque a inclusão está aqui presente. A gente agradece”, celebrou o dançarino.

Engrenagem econômica
Assim como ocorre no Carnaval, quando escolas de samba movimentam meses de preparação, empregos e cadeia produtiva própria, o Arraiá do Povo já demonstra efeito semelhante: costureiras, cenógrafos, músicos, coreógrafos, maquiadores, técnicos de som e iluminação, além do comércio local, passam a integrar uma engrenagem econômica que gira em torno da festa.
A diferença é que o ciclo junino vem ampliando sua presença institucional e política no estado. A união inédita das principais entidades juninas — Fejufap, Ligajun e Fefap — consolidou um novo modelo de organização, ampliando a dimensão do evento e fortalecendo sua permanência no calendário oficial do Amapá.

Mais do que entretenimento, o Arraiá do Povo se transforma em um espaço de preservação da memória cultural, valorização das tradições amazônicas e fortalecimento da economia criativa. O que antes era visto apenas como festividade sazonal, hoje ganha status de política pública cultural, consolidando-se como patrimônio imaterial vivo do estado.
Na prática, o Amapá parece caminhar para ter dois grandes períodos de mobilização popular e econômica ao longo do ano: o Carnaval e o ciclo junino — ambos cada vez mais estruturados como marcas da identidade cultural amapaense.
A programação do Arraiá do Povo na Cidade Junina segue até o dia 30 de junho com apresentações culturais, reforçando o compromisso do Governo do Amapá em promover a cultura popular de forma integrada ao desenvolvimento econômico e à valorização do trabalhador amapaense.








