Ex-integrante de milícia digital ligada a Furlan diz que teve casa invadida e sofreu ameaças

Gleidson Alves Barros afirmou à TV Amapá que homem armado procurava celular com informações que poderiam incriminar o ex-prefeito de Macapá

Um ex-integrante da estrutura investigada pela Polícia Federal como milícia digital ligada ao ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan, relatou em entrevista à TV Amapá/Rede Amazônica que teve a casa monitorada, invadida e foi ameaçado por um homem armado.

O relato é do psicólogo Gleidson Alves Barros, apontado pela PF como operador do grupo investigado na Operação Palanque Digital. Segundo ele, o invasor procurava um celular onde estariam armazenadas informações sobre o funcionamento da estrutura e possíveis provas contra o ex-prefeito.

“A minha casa foi monitorada. Tinha um carro passando, gravando o meu apartamento o tempo todo. E a minha casa também foi invadida por uma pessoa desconhecida, querendo o celular onde tinha informações, e estava armado. Eu achei que naquele momento ia morrer”, afirmou Gleidson.

De acordo com o relato, ele foi amarrado em cima da cama enquanto o homem insistia para saber onde estava o aparelho. Gleidson também disse que o invasor perguntava se ele possuía informações contra o prefeito.

A Polícia Federal investiga uma estrutura que, segundo relatório, funcionava dentro da Prefeitura de Macapá e reunia agentes públicos, produtores de conteúdo e influenciadores digitais. O grupo teria produzido publicações favoráveis a Antônio Furlan e ataques contra adversários políticos.

Ainda conforme a PF, o ex-prefeito aparece como principal beneficiário da estrutura, com indícios de que teria conhecimento e concordância com a atuação do grupo.

Entrevista

Em entrevista à Rede Amazônica, o superintendente da PF no Amapá, Milton Neves, afirmou que a estrutura era financiada com recursos públicos por meio de contratos com uma agência de publicidade. Segundo ele, os repasses eram usados para pagar administradores de páginas e produtores de conteúdo digital.

A investigação aponta contratos superiores a R$ 25 milhões destinados à agência, enquanto pessoas ligadas ao grupo também ocupavam cargos na Prefeitura de Macapá.

Os relatos de intimidação não se limitam a Gleidson. O jornalista investigativo Juan Monteiro afirmou que um colaborador que possuía informações sobre a estrutura também teve a casa invadida e sofreu ameaças. Segundo ele, os invasores tentaram capturar ilegalmente o celular da vítima, mas o aparelho já estaria em posse da Polícia Federal para extração de dados.

Furlan

A defesa de Antônio Furlan nega as acusações e afirma que nenhuma das suspeitas levantadas até agora foi comprovada. Em nota, disse que atribuir ao ex-prefeito a chefia de qualquer grupo investigado é uma afirmação grave e sem fundamento.

Juarez Menescal, também citado no material, afirmou em nota que confia na Justiça e nas investigações, sustentando que conversas divulgadas no contexto da operação não revelam prática ilegal ou irregular.

A Operação Palanque Digital segue em andamento e apura o uso de recursos públicos para financiar uma rede de desinformação, ataques políticos e promoção pessoal durante a gestão municipal.

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