Petrobras pode valer R$ 811 bilhões até o fim do ano após descoberta no Amapá

O Itaú BBA considera a possibilidade de confirmação dos 5,7 bilhões de barris na Foz do Amazonas

Segundo o UOL, o Itaú BBA considera que as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) podem chegar a R$ 63 até o fim de 2026

A Petrobras pode ter uma forte valorização até o fim de 2026 após a identificação de hidrocarbonetos no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. A estatal, que atualmente tem valor de mercado de cerca de R$ 632 bilhões, pode chegar a R$ 811 bilhões, segundo uma projeção do Itaú BBA.

A descoberta, no entanto, ainda não significa que a Petrobras tenha encontrado uma grande reserva de petróleo e gás natural. A empresa ainda precisa concluir a perfuração, analisar as amostras e delimitar o tamanho e o potencial comercial do reservatório.

Segundo o UOL, o Itaú BBA considera que as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) podem chegar a R$ 63 até o fim de 2026. O papel fechou a sexta-feira (21) cotado a R$ 44,30. Se a projeção se confirmar, o valor de mercado da companhia passaria de R$ 632,5 bilhões para R$ 811,4 bilhões, uma valorização de aproximadamente 28%.

O recorde foi registrado em 2008, durante a euforia provocada pela descoberta do megacampo de Tupi, no pré-sal. Naquele ano, a PETR4 chegou a R$ 52,51. Corrigido pela inflação, o valor equivaleria hoje a R$ 144,21. Na época, a Petrobras chegou a ser avaliada em R$ 510,3 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 1,4 trilhão em valores atuais.

Potencial de reservas

No longo prazo, a valorização da Petrobras pode ser ainda maior caso as projeções sobre a Margem Equatorial se confirmem. De acordo com o UOL, a Empresa de Pesquisa Energética  estima que a região da Foz do Amazonas possa ter até 5,7 bilhões de barris recuperáveis, ou seja, que podem ser efetivamente extraídos.

Se esse volume for confirmado, as reservas comprovadas de petróleo do Brasil poderiam crescer 33%, enquanto as reservas da Petrobras teriam potencial de aumento de até 55%.

Para toda a Margem Equatorial, formada pelas bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar, a EPE estima um potencial de 41 bilhões de barris no Plano Decenal de Expansão de Energia 2035. A projeção é superior à estimativa da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, de 30 bilhões de barris.

O otimismo do Itaú BBA considera justamente a possibilidade de confirmação dos 5,7 bilhões de barris na Foz do Amazonas. Conforme o UOL, a instituição utiliza o indicador EV/Reserva, que mede quanto vale uma empresa em relação a cada barril de petróleo existente em suas reservas.

Nesse cenário, o valor cairia dos atuais US$ 12,70 por barril equivalente para US$ 8,50, abaixo do praticado por concorrentes internacionais. A redução poderia atrair investidores e contribuir para a valorização das ações da Petrobras.

Os até 6 bilhões de barris recuperáveis na Foz do Amazonas têm valor bruto estimado em R$ 3,8 trilhões. O cálculo, divulgado pelo UOL, considera o preço do barril de petróleo Brent em US$ 70 e o dólar a R$ 5,40, segundo estimativa da FGV-IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

A descoberta no Amapá também é considerada estratégica diante da dependência brasileira do pré-sal

Importância para o futuro do petróleo brasileiro

A descoberta no Amapá também é considerada estratégica diante da dependência brasileira do pré-sal. Cerca de 80% do petróleo produzido no país atualmente vem dessa região, mas a produção deve começar a entrar em declínio no início da década de 2030.

Segundo o UOL, especialistas avaliam que novas fronteiras de exploração serão necessárias para recompor as reservas brasileiras.

“A Petrobras tem outras frentes de atuação que devem aportar uma quantidade razoável de reservas tanto de petróleo quanto de gás, como a Bacia de Pelotas e a Sergipe Águas Profundas”, diz Eric Gil Dantas, economista do Ibeps (Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais). “Mas não chegam na mesma escala do Pré-sal. Por isso a necessidade da Margem Equatorial para garantir a reposição das reservas.”

Mesmo assim, a Petrobras pode precisar encontrar uma quantidade menor de petróleo para que a exploração seja economicamente viável.

O que a Petrobras já encontrou

A Petrobras confirmou a presença de hidrocarbonetos no poço Morpho na segunda-feira (17). A perfuração já alcançou cerca de 3 mil metros sob a lâmina d’água e outros 3 mil metros na rocha, com aproximadamente 1 quilômetro ainda a ser perfurado.

Segundo o UOL, a conclusão da perfuração está prevista para setembro. A viabilidade comercial, porém, dependerá de análises das amostras enviadas ao centro de pesquisas da Petrobras e da perfuração de novos poços para determinar a extensão da descoberta.

O poço Morpho está localizado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, uma das cinco que formam a Margem Equatorial brasileira. A área se estende por mais de 2,2 mil quilômetros de costa, entre a foz do rio Oiapoque, no Amapá, e o litoral do Rio Grande do Norte.

A Petrobras detém atualmente 100% de participação no bloco onde ocorreu a descoberta e é a responsável pela operação. A companhia adquiriu a área na 11ª Rodada de Licitações da ANP, realizada em 2013, sob o regime de concessão.

A estatal poderá, no futuro, vender parte da participação para dividir os custos da exploração com outras empresas.

Por outro lado, caso as expectativas sobre o potencial de petróleo da região não se confirmem, a Petrobras ficará responsável pelos prejuízos da operação. Segundo o UOL, a exploração custa cerca de US$ 1 milhão por dia e já acumula gastos superiores a R$ 1,5 bilhão.

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