Aposentadoria: após mais de 20 anos, Sulamir Monassa encerra trajetória no TRT-8

Da advocacia no Amapá à Presidência do Tribunal do Trabalho, magistrada encerra uma carreira marcada pela atuação no Direito, na sala de aula e na Justiça do Trabalho

A desembargadora Sulamir Palmeira Monassa de Almeida está se despedindo do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT-8) após mais de duas décadas de atuação na Justiça do Trabalho. A magistrada também encerra uma trajetória marcada pela advocacia, pelo ensino jurídico e pela participação em espaços de decisão no Amapá.

A despedida começou em março deste ano, quando Sulamir ministrou sua última aula na Universidade Federal do Amapá (Unifap). A magistrada esteve no curso de Direito desde a primeira turma da instituição e ajudou a formar gerações de profissionais.

Antes da magistratura, Sulamir trabalhou em uma agência bancária, atuou na advocacia e ingressou na carreira acadêmica. Ela possui a inscrição nº 001 da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amapá (OAB-AP) e foi a primeira mulher a presidir a entidade no estado.

“Eu era mais jovem, com muitos ideais, com muita vontade de ver a democracia do país se consolidar. Daquela fase na OAB até hoje, foram grandes mudanças no país, que se refletem no presente e também no futuro”, recorda.

Do Amapá ao TRT-8

Sulamir ingressou no TRT-8 em 2004, pelo quinto constitucional destinado à advocacia. Foram mais de 20 anos de atuação até chegar à Presidência da Corte, no biênio 2025–2026.

Ao longo da carreira, acompanhou o aumento da participação feminina na advocacia, na magistratura e em funções de gestão. Sua trajetória também manteve forte ligação com o Amapá.

Durante sua gestão, a Justiça Itinerante continuou levando atendimento a municípios e comunidades distantes das unidades do Tribunal. O programa TRT Presente também percorreu unidades para ouvir magistrados e servidores sobre as dificuldades e necessidades de cada localidade.

No Amapá, um dos destaques foi o retorno da Vara do Trabalho de Laranjal do Jari ao município, depois de 18 anos funcionando em Monte Dourado, no Pará. A mudança ocorreu por meio de parceria entre o TRT-8 e o Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP).

Modernização e resultados

Durante o biênio, o TRT-8 alcançou 100% no Ranking da Transparência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), recebeu a categoria Excelência no Prêmio CNJ de Qualidade, com 94,6%, e atingiu 95,07 pontos, também na faixa de Excelência, no iGovTIC-JUD.

Entre as principais mudanças internas da gestão, Sulamir destaca a modernização da Secretaria de Pagamento.

Fichas funcionais e financeiras de magistrados da ativa e aposentados, servidores e pensionistas foram digitalizadas. A medida modificou a rotina do setor e facilitou procedimentos relacionados aos pagamentos e outros serviços internos.

“Eu fiz uma mudança radical na sistemática da Secretaria de Pagamento. Hoje, as fichas funcionais e financeiras estão digitalizadas, tanto de magistrados da ativa e aposentados quanto de servidores e pensionistas. Vejo isso como um legado que vai ficar para o Tribunal”, afirma.

A gestão também ocorreu durante um período de destaque para Belém e para a Amazônia, com a realização da COP30. Sustentabilidade, mudanças climáticas e os impactos desses temas no mundo do trabalho estiveram entre os assuntos debatidos pelo Tribunal.

Em 2026, Belém recebeu ainda o 6º Encontro Nacional da Memória do Poder Judiciário, realizado pela primeira vez na Região Norte.

“Dever cumprido”

Na última sessão ordinária do Tribunal Pleno sob sua condução, em 3 de agosto, Sulamir agradeceu aos magistrados, servidores e colaboradores que participaram da gestão. “Meu compromisso com a Justiça do Trabalho, com o Pará e com o Amapá permanece inabalável”, afirmou.

Sobre a aposentadoria, a desembargadora resumiu o momento como um sentimento de realização profissional. “É um sentimento de dever cumprido, de realização profissional. Agora quero descansar primeiro, porque são anos de muito trabalho.”

Sulamir afirma que ainda não fez planos para a nova rotina e pretende não ter pressa para decidir os próximos passos. Questionada sobre como gostaria de ser lembrada no TRT-8, respondeu: “Pela minha austeridade e pela integridade da gestão”.

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